Deolane Bezerra foi presa por suspeita de envolvimento com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou por uma audiência de custódia na última quinta-feira, 21. Uma gravação da audiência repercutiu nas redes sociais, e internautas se atentaram para o fato de o juiz não saber falar o nome da influenciadora e advogada.
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"De... De... Como é o nome da senhora? Como é que fala? Deolane?", perguntou o magistrado no início da audiência. "Deolane", confirmou ela.
A audiência de custódia é um processo legal padrão e que não serve para julgar o motivo da prisão ou os crimes pelos quais alguém é acusado. Ela é apenas para avaliar a legalidade da prisão, se tudo foi feito como a lei brasileira prevê e se não houve algum abuso ou erro cometido pelos policiais.
Mesmo sabendo que a audiência não era para comentar as acusações, Deolane Bezerra usou um momento para falar sobre o assunto e se declarou inocente. Ela afirmou que foi presa por ter trabalhado como advogada para uma pessoa ligada ao PCC que também foi alvo da operação que a prendeu.
"Fui presa no exercício da profissão. Na época dos fatos, advogava. É um processo antigo, de 2019 e 2020. Quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que fui presa por estar advogando por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento enquanto advogada", disse ela.
Deolane é suspeita de integrar o esquema criminoso usando suas contas para lavar dinheiro, transformando os valores em bens de luxo. O Ministério Público de São Paulo informou que Deolane passou a ocupar posição de destaque no esquema devido a movimentações financeiras expressivas, e apresentou incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa.
"Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, afirmou o MP em comunicado.
Segundo a GloboNews, a investigação policial identificou que uma transportadora usada pelo PCC para lavagem de dinheiro fez depósitos em contas de Deolane. A influenciadora é suspeita de ter vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas.