Advogada diz que suspeita de envenenar artesã com mercúrio no Recife "não se lembra de nada"

De acordo com a defesa, Maria Aparecida teria informado ao psiquiatra que não recorda de ter saído de casa, de ter ido à delegacia ou da suposta contaminação da água da vítima.

14 jul 2026 - 08h31
(atualizado às 10h08)
Advogada diz que suspeita de envenenar artesã com mercúrio no Recife "não se lembra de nada".
Advogada diz que suspeita de envenenar artesã com mercúrio no Recife "não se lembra de nada".
Foto: Reprodução/Redes sociais / Portal de Prefeitura

A defesa de Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, investigada por suspeita de contaminar com mercúrio a água consumida pela artesã Denny Cardoso, no Recife, afirmou que a mulher não consegue se recordar dos acontecimentos relacionados ao caso.

Segundo a advogada Ana Maristela Trajano, a cliente apresenta transtornos psiquiátricos e relatou, durante avaliação médica realizada nesta segunda-feira, 13 de julho, que não se lembra nem mesmo de fatos simples do próprio dia.

De acordo com a defesa, Maria Aparecida teria informado ao psiquiatra que não recorda de ter saído de casa, de ter ido à delegacia ou de qualquer episódio envolvendo a suposta contaminação da água da vítima.

"Ela disse hoje (segunda-feira, 13) para o psiquiatra que não se lembra de nada. Não se lembra de nada do que aconteceu naquele dia. Nem do que tomou no café da manhã, nem de ter saído de casa", afirmou ao g1 a advogada Ana Maristela Trajano, que representa a suspeita.

Caso fez um ano

O caso é investigado pela Polícia Civil desde junho de 2025. Na época, Denny Cardoso, que ministrava aulas em um projeto social no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), passou a desconfiar que alguém estava adulterando sua garrafa de água após encontrar pequenas partículas no líquido e desenvolver sintomas de intoxicação, como dores abdominais, dificuldades para caminhar, alterações neurológicas e rigidez muscular.

Para confirmar a suspeita, a artesã deixou um celular gravando dentro da sala onde trabalhava. As imagens registraram, em duas ocasiões, uma mulher colocando uma substância dentro da garrafa. A investigada foi levada à delegacia após a segunda gravação, quando a própria vítima acionou a Polícia Militar.

Embora reconheça que é a pessoa que aparece nas filmagens, Maria Aparecida afirma não se lembrar do que fazia naquele momento. Segundo a defesa, ela assistiu aos vídeos e apenas confirmou sua identidade por estar usando o uniforme do projeto.

A advogada informou ainda que sua cliente possui diagnósticos de deficiência intelectual leve, episódios de depressão, síndrome do pânico e transtornos psicóticos, condições que, segundo ela, comprometem sua memória e capacidade de recordar os fatos.

Outro ponto levantado pela defesa é que, até o momento, não haveria comprovação definitiva de que a garrafa registrada nas imagens pertencia à artesã. Além disso, a advogada afirmou que, durante as investigações, surgiu a informação de que as duas mulheres teriam uma desavença antiga, supostamente motivada por interesses afetivos, mas disse que a cliente também não se recorda desse episódio.

A vítima

Enquanto isso, Denny Cardoso continua em tratamento médico. Conforme relatos da vítima, exames apontaram níveis elevados de mercúrio no organismo, indicando que ela pode ter sido exposta ao metal pesado durante um período de oito meses a um ano.

Apesar de os laudos periciais já terem sido concluídos, segundo a vítima e seu advogado, o inquérito policial ainda não foi finalizado. Procurada, a Polícia Civil informou apenas que a investigação permanece em andamento e que novas informações não serão divulgadas para preservar as diligências.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se