Tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa recebe 'prêmio' de aposentadoria com salário integral da PM

Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio, irá receber R$ 28,9 mil brutos

2 abr 2026 - 11h13
(atualizado às 11h30)
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso em um imóvel na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso em um imóvel na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo
Foto: Reprodução TV Globo / Estadão

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, preso sob acusação de feminicídio pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana, foi aposentado com salário integral pela Polícia Militar de São Paulo. 

A corporação publicou nesta quinta-feira, 2, uma portaria de inatividade que diz que, pela lei, Geraldo Neto tem o direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais.

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Na prática, o tenente-coronel foi mandado para a reserva e continuará recebendo o salário que, no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo.

Réu na Justiça Militar e na Justiça Comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a policial Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro.

O tenente-coronel nega que tenha matado a esposa e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça. Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

Entenda o caso

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta em 18 de fevereiro; o marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso acusado do crime
Foto: Reprodução / Estadão

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

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A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

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A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

Fonte: Portal Terra
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