O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a Operação "Lote Cruzado", com o objetivo de desarticular um suposto esquema de fraudes licitatórias e direcionamento de contratos na Prefeitura de Encruzilhada do Sul. A ofensiva, conduzida pela Procuradoria da Função Penal Originária (PFPO), cumpriu mandados de busca e apreensão nas dependências do Poder Executivo municipal, em uma empresa privada, em uma cooperativa e em residências de investigados. As ordens judiciais foram executadas tanto no município do Vale do Rio Pardo quanto em Porto Alegre, resultando no recolhimento de documentos e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.
As investigações apontam para irregularidades na contratação de serviços destinados à implantação de um loteamento popular na cidade. O foco da apuração recai sobre agentes públicos e particulares que teriam articulado operações para favorecer grupos específicos no processo licitatório. A ação foi autorizada pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e é coordenada pelo procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, com a execução direta da promotora Letícia Elsner Pacheco e apoio de equipes de promotores de diversas áreas, além de policiais da Brigada Militar e servidores do MPRS.
Até o momento, o Ministério Público não divulgou os nomes dos agentes públicos envolvidos, mantendo o sigilo necessário para o prosseguimento das diligências. O material apreendido deve auxiliar na identificação da extensão dos danos ao erário e do alcance da rede de influência dentro da administração municipal. A prefeitura de Encruzilhada do Sul ainda não se manifestou oficialmente sobre a operação, mas o MPRS reitera que o objetivo principal é garantir a transparência no uso de recursos destinados à habitação popular e punir os responsáveis pelo desvio de finalidade nos contratos públicos.