Uma nova fase da operação que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) levou a Polícia Federal a encontrar R$ 287 mil em dinheiro vivo escondidos dentro de sacos de lixo em Pernambuco.
Segundo os investigadores, os valores estavam guardados em sacolas colocadas dentro de uma mala localizada na residência de um servidor ligado ao instituto. Durante a ação, também foram apreendidos dois veículos de luxo.
A ofensiva foi realizada nesta quarta-feira, 27 de maio, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) como parte de mais uma etapa da Operação Sem Desconto.
Investigação mira esquema bilionário
As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridas em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e no Distrito Federal.
As investigações apontam a existência de um esquema nacional de descontos indevidos aplicados diretamente em benefícios previdenciários entre os anos de 2019 e 2024.
A suspeita é de que associações realizavam cobranças mensais sem autorização dos aposentados e pensionistas, simulando filiações que nunca teriam sido autorizadas pelos beneficiários.
O prejuízo estimado pelas autoridades chega a R$ 6,3 bilhões.
Dinheiro era descontado dos benefícios
De acordo com a apuração, o esquema funcionava por meio de cobranças automáticas descontadas dos pagamentos feitos pelo INSS.
Os beneficiários só descobriam os descontos após perceberem redução nos valores recebidos mensalmente.
Nesta nova etapa, a Polícia Federal investiga possíveis núcleos regionais envolvidos na fraude, incluindo servidores e ex-servidores do instituto.
Em Garanhuns, as investigações se concentram justamente em pessoas ligadas ao INSS.
PF apura organização criminosa
Ao todo, a operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como monitoramento eletrônico e bloqueio de bens.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
As primeiras suspeitas vieram à tona após uma fase anterior da operação, deflagrada em abril do ano passado.