O personal trainer Lucas de Farias Melo, de 24 anos, morreu durante uma ação policial realizada na noite da última quinta-feira, 18 de junho, na localidade de Rajada, em Itapipoca, no Ceará. Segundo a defesa da família, o jovem estaria enfrentando um surto psicótico no momento da abordagem. As informações foram divulgadas pelo g1.
Em entrevista ao portal, o advogado Josué Miranda dos Santos afirmou que familiares relataram que Lucas apresentava um quadro de transtorno mental que exigia acompanhamento especializado e assistência adequada.
"É fundamental que a perícia, o laudo cadavérico e todos os elementos técnicos sejam produzidos com imparcialidade, para que a sociedade e a família possam compreender exatamente o que ocorreu naquela noite. Reforçamos que o objetivo deste momento não é antecipar conclusões ou emitir juízo de valor sobre a atuação dos agentes envolvidos", declarou a defesa em nota.
O que diz a Polícia Militar
De acordo com a Polícia Militar do Ceará, os agentes trafegavam pela região quando perceberam uma motocicleta posicionada de forma que dificultava parcialmente a passagem na via. Ao se aproximarem para verificar a situação, encontraram Lucas próximo ao veículo.
Conforme a versão apresentada pela corporação, os policiais iniciaram os procedimentos de abordagem e solicitaram que o jovem se identificasse e obedecesse às orientações de segurança. Ainda segundo a PM, ele não atendeu às ordens e teria avançado em direção à viatura.
A corporação afirma que, durante o episódio, Lucas abriu a porta do veículo policial e tentou tomar a arma de um dos agentes. Diante da situação, os militares efetuaram disparos alegando necessidade de conter a agressão e proteger a equipe.
Após a ocorrência, os policiais encontraram com o jovem uma bolsa contendo objetos pessoais e uma faca. Lucas foi socorrido e levado para uma unidade hospitalar da região, mas não resistiu aos ferimentos.
A PM informou ainda que os próprios agentes realizaram o transporte da vítima devido à dificuldade de comunicação na área, que não possuía cobertura de telefonia móvel nem sinal de rádio.
Investigação e histórico
O caso foi encaminhado às autoridades responsáveis para investigação. Segundo a defesa, Lucas respondia a um processo por violência doméstica e era monitorado por tornozeleira eletrônica.
Os advogados afirmam que, nesse procedimento judicial, já havia sido instaurado um incidente de insanidade mental pela Justiça da Comarca de Crateús para avaliar o estado de saúde psicológica do jovem à época dos fatos.
A família e os representantes legais pedem que a apuração seja conduzida com transparência, rigor técnico e rapidez, para esclarecer as circunstâncias que resultaram na morte do personal trainer.