Delegada é criticada por postura com suspeito de matar ex-namorada e criança em SP: 'Fica calmo'

Vídeo da abordagem de Eric Conrado, investigado pelas mortes da advogada Anna Gabriela e do filho dela, de 6 anos, provocou indignação

7 nov 2026 - 05h00
Vídeo de delegada tranquilizando suspeito de matar ex-namorada e criança de 6 anos provoca revolta e críticas nas redes sociais
Vídeo de delegada tranquilizando suspeito de matar ex-namorada e criança de 6 anos provoca revolta e críticas nas redes sociais
Foto: Reprodução/Instagram

A postura da delegada Mônica Gamboa durante a prisão do empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, provocou uma onda de críticas nas redes sociais. Ele é suspeito de matar a ex-namorada, a advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Raphael, de apenas 6 anos, em Cotia, na Grande São Paulo.

A repercussão começou após a divulgação de um vídeo que mostra a policial conversando com o investigado durante a abordagem. Nas imagens, a delegada aparece tentando tranquilizá-lo, explicando como seria o procedimento na delegacia e garantindo que ele ficaria em uma cela sozinho.

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Um dos momentos que mais chamaram a atenção foi quando Mônica Gamboa disse: "Fica calmo, a gente está aqui". Em seguida, explicou por que decidiu participar pessoalmente da abordagem.

"O combinado com tua mãe e com teu pai e com a sua advogada, da gente vir te buscar, eu vim por ser mulher, pra sua mãe confiar melhor, tá?", afirmou.

A gravação rapidamente circulou nas redes sociais e provocou indignação entre usuários que consideraram a abordagem excessivamente acolhedora diante da gravidade das acusações contra o empresário.

Comentários apontam tratamento diferenciado ao suspeito

Nas publicações que repercutiram o episódio, internautas questionaram a maneira como a autoridade policial se dirigiu ao investigado. Alguns comentários fizeram comparações com o tratamento frequentemente relatado por mulheres que procuram delegacias para denunciar situações de violência.

"Vergonha é quando chega na delegacia pra denunciar, somos tratadas como um nada e só faltando nos dizer que somos culpadas", escreveu uma internauta.

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Outra usuária ironizou a abordagem: "Só faltou pedir perdão por estar incomodando o princeso!".

"Isso é simplesmente REVOLTANTE", comentou outra pessoa.

Também houve quem afirmasse que a delegada quase ofereceu conforto ao investigado. "Só faltou colocar no colo", escreveu uma internauta. Em outro comentário, um usuário afirmou: "Só faltou a delegada abraçar ele bem forte e dizer 'vai dar tudo certo'".

As manifestações refletem a indignação de parte do público com a diferença percebida entre o tratamento dispensado ao suspeito e as dificuldades enfrentadas por mulheres que buscam proteção contra a violência doméstica.

Além de explicar que participou pessoalmente da operação para facilitar o contato com a família do empresário, Mônica Gamboa também informou ao suspeito que ele permaneceria em uma cela individual na cadeia de Cotia e não seria transferido imediatamente para um Centro de Detenção Provisória (CDP).

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Uma internauta defendeu a postura da delegada e justificou: "A preocupação da delegada era com a mãe dele, uma senhora idosa que aceitou entregar o próprio filho à polícia e conduziu os policiais até o local onde ele estava escondido, sem que ele soubesse. A delegada havia empenhado sua palavra de que a abordagem seria tranquila, sem intimidação ou constrangimento, principalmente porque a mãe estaria presente. E foi exatamente isso que fez. Isso não significa complacência com o crime, mas respeito à mãe, que colaborou com a polícia em uma situação extremamente difícil, e à palavra empenhada", disse.

A policial afirmou que ele ficaria sozinho na cela e pediu que mantivesse a calma. A conversa foi interpretada por críticos como um tratamento diferenciado ao suspeito, especialmente porque o homem é investigado por um crime de extrema gravidade envolvendo duas vítimas, uma mulher e uma criança.

A abordagem, entretanto, ocorreu durante uma negociação que contou com a participação dos familiares e da advogada do investigado. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a estratégia ajudou a viabilizar a apresentação dele às autoridades.

Empresário é suspeito de matar ex-namorada e filho dela

O caso que provocou a repercussão aconteceu em Cotia, na Grande São Paulo. Anna Gabriela Faria Lima e o filho, Raphael, de 6 anos, foram encontrados mortos dentro do apartamento onde moravam, na terça-feira (3).

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As investigações apontam que Eric esteve no imóvel com as vítimas na noite de domingo (1º) e deixou o condomínio sozinho na madrugada de segunda-feira (2). Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de que mãe e filho tenham sido dopados antes de morrerem por asfixia. Os laudos necroscópicos e toxicológicos foram solicitados para esclarecer as circunstâncias das mortes.

Segundo depoimentos reunidos pelos investigadores, o relacionamento entre Eric e Anna Gabriela era marcado por conflitos, ameaças, perseguições e episódios de violência. A advogada teria manifestado medo do comportamento do empresário e tentado encerrar a relação.

Eric foi preso na noite de quarta-feira (4), em uma residência na Zona Oeste de São Paulo, após uma operação policial que contou com a colaboração de familiares.

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A Justiça determinou que ele permaneça preso temporariamente por 30 dias, enquanto a investigação avança. O interrogatório, inicialmente previsto para quinta-feira (5), foi adiado pela delegada responsável porque a polícia aguardava resultados periciais e outros elementos considerados importantes para o caso.

De acordo com a Polícia Civil, o empresário não confessou os assassinatos e também não demonstrou arrependimento, segundo relato da delegada. Ainda conforme as investigações, o suspeito lavou pratos, passou pano no chão, ajeitou a cama onde os corpos foram deixados e colocou um incenso próximo à porta para tentar disfarçar o cheiro dos cadáveres.

A investigação apura os crimes de feminicídio e vicaricídio, modalidade de violência em que uma pessoa é assassinada para atingir emocionalmente outra, geralmente a mãe ou o pai da vítima.

A delegada afirmou em coletiva de imprensa que Eric e Anna Gabriela estavam juntos há cerca de três anos, com intervalos de términos e voltas. Os dois reataram no início de outubro, perto das eleições.

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