Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC

24 jul 2026 - 17h37
(atualizado às 18h55)

As novas tarifas dos Estados Unidos atingirão 23,1% ‌das exportações brasileiras para o país, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Do total, 16,5% das exportações chegarão a uma sobretaxa de 37,5%, somando a aplicação da tarifa de 25%, anunciada na semana passada, à nova taxa de 12,5%, apresentada pelos norte-americanos na quinta-feira.

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Apenas 1,9% das exportações terão apenas a sobretaxa ⁠de 25%, enquanto 4,7% estarão sujeitas à tarifa de 12,5%.

Entre os produtos com maior ‌taxação estão, ainda de acordo com o MDIC, máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Já a Confederação Nacional da ‌Indústria (CNI) estima que serão 3,9 mil produtos brasileiros ‌afetados pelas duas tarifas somando 37,5%, o que causaria um impacto de ⁠US$12,4 bilhões nas exportações brasileiras, segundo documento divulgado nesta sexta-feira.

Outros 13% das exportações, correspondentes a 75 produtos, ou US$1,6 bilhão em exportações, estarão sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%.

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De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, o impacto na economia brasileira em geral não é devastador, mas cria dificuldades em alguns setores.

"O impacto ‌no geral não é alto, como não foi ano passado (quando o Brasil foi taxado ‌em 50%). A economia brasileira ⁠sobrevive bem. Mas ⁠alguns setores são fortemente impactados e nem sempre é fácil encontrar novos mercados para produtos específicos", ⁠disse a fonte, lembrando que o Brasil ‌tem, em vários casos, cadeias ‌de produção interligadas com os EUA e produtos que são feitos quase sob medida para o mercado norte-americano.

"O que vai acontecer é que depois de algum tempo essas cadeias de produção não vão mais existir, vão ter ⁠outros mercados", continuou, ressaltando que o Brasil volta os olhos agora para os mercados asiáticos e europeus.

RECIPROCIDADE

Apesar da cautela em falar sobre retaliação -- especialmente pelo temor dos empresários de mais uma resposta norte-americana --, o governo vai dar seguimento aos trâmites da Lei de Reciprocidade, que exige ‌estudos e audiências públicas com os setores afetados.

"Ter o poder de fazer não significa que vamos fazer, mas o governo tem que estar preparado", disse a fonte. "Você ⁠não pode abrir mão de um mecanismo porque aí é como se aceitasse a derrota."

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Qualquer medida, no entanto, só deve sair depois das eleições. Além do processo interno, que leva entre dois e três meses, o período eleitoral, mais sensível, não é o mais adequado para tomar decisões dessa monta, disse a fonte.

"Também não sabemos o que mais vem pela frente. Já estão falando em nova rodada por causa das Big Techs. Temos que estar preparados", disse.

Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou duramente a União Europeia pelo que chamou de decisão ilegal de multar o Google, da Alphabet, afirmando que Washington iniciaria uma investigação sobre o "roubo" que o bloco estaria cometendo contra empresas norte-americanas.

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