'Não é fake news', diz padre Júlio Lancellotti sobre Nossa Senhora Aparecida

Sacerdote também apontou risco de perseguição pela extrema direita

29 set 2026 - 13h59
(atualizado às 14h39)
Resumo
O padre Júlio Lancellotti afirmou que a polêmica sobre retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida não é fake news, lembrando que houve um projeto de lei nesse sentido proposto pelo ex-deputado Victório Galli, ex-assessor de Jair Bolsonaro. A controvérsia gerou desgastes para a campanha do senador Flávio Bolsonaro. Lancellotti frisou que o título é pontifício, cabendo ao Estado apenas o feriado, e alertou para o risco de aumento nas perseguições contra o seu trabalho social.

O padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com a população em situação de rua em São Paulo, afirmou nesta terça-feira (29) que a controvérsia sobre uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil não se trata de uma "fake news".

Padre Júlio Lancellotti é conhecido por atuação com população em situação de rua
Padre Júlio Lancellotti é conhecido por atuação com população em situação de rua
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O tema explodiu no fim da semana passada e tem causado dor de cabeça para o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha eleitoral para o primeiro turno da corrida pelo Planalto.

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O senador já negou repetidas vezes qualquer interesse em mudar o título de Nossa Senhora Aparecida e declarou ser vítima de "fake news" disseminadas pelo PT com o auxílio de "gente dentro da CNBB", a Conferência Nacional de Bispos do Brasil.

"Objetivamente, havia um projeto de lei que foi arquivado pela Câmara", disse o padre Júlio em entrevista à ANSA, em referência a uma iniciativa apresentada em 2007 pelo ex-deputado Victório Galli para definir Nossa Senhora Aparecida como "padroeira dos brasileiros católicos romanos".

Galli foi assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro e agora é candidato a um novo mandato na Câmara dos Deputados pelo PP no Mato Grosso.

"Essa questão não é fake news, ela é antiga, e o deputado foi assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro e agora é candidato novamente, então o projeto pode ser desarquivado a qualquer momento", acrescentou o sacerdote, já alvo de perseguições de bolsonaristas por conta de sua defesa da população em situação de rua.

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Segundo ele, no entanto, a designação de "padroeira do Brasil" é um título "pontifício", e não do Estado, que poderia apenas suprimir o feriado de 12 de outubro. "A questão tomou uma proporção muito mais simbólica, e aí a linguagem simbólica acaba alterando os ânimos. Então espero que essa questão seja tratada de maneira objetiva", afirmou o padre.

Bisneto de imigrantes italianos da Calábria, Júlio Lancellotti também disse enxergar um risco de que as perseguições a seu trabalho piorem, a depender do resultado das eleições.

"Existe um risco, sem dúvida. O papa Leão XIV falou ontem que a extrema direita não tem elementos do cristianismo. Foi uma fala muito lúcida e muito corajosa neste momento", salientou.

A declaração em questão foi dada pelo pontífice na última segunda-feira (28), em seu voo de volta a Roma após viagem à França, quando ele foi questionado sobre a ascensão da extrema direita na Alemanha.

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"Seria interessante estudar e analisar se existe uma relação entre o crescimento desses grupos de extrema direita e uma combinação específica dessas visões de extrema direita com um determinado tipo de religião, que não representa uma expressão autêntica do cristianismo", declarou o Papa.

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