Em comício em Fortaleza, o presidente Lula ergueu a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao rebater boatos sobre a perda do título de padroeira do Brasil. O petista também defendeu a proibição das apostas esportivas para evitar o endividamento da população, reforçou a promessa de acabar com a escala de trabalho 6x1 e criticou a Operação Lava Jato. No palanque, ele atacou seu adversário Flávio Bolsonaro e pediu votos para aliados e parlamentares de sua coligação para derrotar o bolsonarismo.
BRASÍLIA E FORTALEZA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a mencionar a fake news sobre Nossa Senhora Aparecida em comício em Fortaleza (CE) nesta terça-feira, 29. Em discurso no palanque, o petista disse que ouviu "boatos" sobre a possibilidade de o título de padroeira do Brasil ser retirado e, durante a caminhada, ergueu uma imagem de Nossa Senhora.
"Nesta semana, saíram boatos de que vão querer desfazer a ideia de que Nossa Senhora Aparecida não seja mais padroeira do Brasil. Eu respeito todas as religiões, a católica, a evangélica, as de matrizes africanas, respeito até os ateus. Mas enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será a padroeira do Brasil. Quem não quiser, que mude do Brasil", afirmou o presidente.
Desde a noite de quarta-feira, 23, perfis de esquerda passaram a promover uma história falsa de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apoia um projeto sobre o tema. A desinformação escalou a partir de quinta-feira, 24, quando o programa Em Pauta, da GloboNews, abordou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno do projeto e que isso poderia "surtir efeito, entre os católicos, a favor de Lula". Horas depois, a emissora veiculou uma correção.
Um projeto de 2007, do então deputado Victório Galli, de alterar trechos da lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, pretendia trocar a expressão "padroeira do Brasil" para "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto está arquivado desde 2008.
Lula também voltou a mencionar a medida de proibição das bets. O presidente repetiu que os clubes de futebol estão reclamando da proibição, mas que terão de dar um jeito de contornar a queda de receitas. O petista disse saber que "tem muita gente devendo" e voltou a contar histórias de pessoas endividadas que chegaram a se matar. "Não vou permitir que o dinheiro do leite seja usado para a jogatina", afirmou.
Ele ainda reforçou a promessa de acabar com a escala de trabalho 6x1. "Aos comerciantes daqui, se preparem, vamos acabar com a escala de trabalho 6x1, para que vocês possam ter mais um dia de descanso", disse.
Ao lado do candidato do PT ao governo do Ceará, Elmano de Freitas, que tenta a reeleição, e dos candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), Lula disse que quer "enterrar o bolsonarismo neste País".
Segundo ele, a eleição presidencial deste ano "é entre um presidente que ama a bandeira brasileira e outro que beija a americana". Chamou o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, de um "puxa saco do (Donald) Trump".
"Vamos eleger um presidente que tem biografia ou um que vive puxando saco do Trump?", questionou a seus apoiadores durante o comício.
A presença de Lula em Fortaleza foi uma tentativa de dar fôlego à campanha de Elmano e dos demais candidatos aliados nesta reta final das eleições.
Lula cobrou seus apoiadores para que votem em candidatos a deputado federal "do time" da sua coligação. "Não é pouca coisa votar em deputado federal. É preciso votar em alguém que esteja no nosso time. Porque, se não estiver no nosso time, vai trabalhar contra a gente no Congresso Nacional. Por favor, não coloquem raposas no galinheiro", afirmou.
O presidente também disse que ele e Elmano vão ganhar as eleições "graças às mulheres". A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, tomou o microfone e disse que "a mulherada vai dar o tetra ao presidente Lula".
Diante dos apoiadores, o presidente criticou a Operação Lava Jato, chamada por ele de "maior mentira que a imprensa criou". A Lava Jato foi uma operação tocada pela Justiça Federal de Curitiba. Lula foi réu e condenado à época. As condenações, porém, foram anuladas posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque a Corte entendeu que a Justiça Federal era incompetente para julgar o caso.