Mulher dá à luz em Fernando de Noronha, onde partos são proibidos desde 2004

27 jul 2026 - 04h58
Hospital São Lucas em Fernando de Noronha
Hospital São Lucas em Fernando de Noronha
Foto: Reprodução/Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco

Um nascimento incomum chamou a atenção em Fernando de Noronha neste domingo (26). Uma mulher deu à luz no Hospital São Lucas, contrariando o protocolo adotado no arquipélago desde 2004, quando os partos passaram a ser proibidos na ilha por falta de estrutura hospitalar adequada para esse tipo de atendimento.

De acordo com a Administração de Fernando de Noronha, a gestante procurou atendimento médico sem informar que estava grávida. Durante a avaliação inicial, ela informou que estava com dores na região lombar e negou a possibilidade de gestação, mas a equipe médica desconfiou da situação e decidiu realizar um exame de Beta HCG.

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O resultado confirmou uma gravidez de 41 semanas e indicou que a paciente já estava em trabalho de parto avançado, o que tornou inviável sua transferência para uma maternidade no Recife, como normalmente ocorre nesses casos.

Diante da urgência, a equipe multiprofissional do Hospital São Lucas realizou o parto e , segundo a administração da ilha, tanto a mãe quanto o bebê passam bem e permanecem sem intercorrências.

Como medida preventiva, o Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi colocado de prontidão para uma eventual remoção da mãe e do recém-nascido para uma unidade de referência na capital pernambucana, caso os médicos considerem necessário.

Por que partos são proibidos em Fernando de Noronha?

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Desde 2004, gestantes que vivem em Fernando de Noronha precisam deixar a ilha ao completar 28 semanas de gravidez para que o parto seja realizado no continente.

A medida foi adotada porque o arquipélago possui apenas o Hospital São Lucas, uma unidade de média complexidade que não conta com maternidade nem Unidade de Terapia Intensiva (UTI), estruturas consideradas essenciais para garantir segurança à mãe e ao bebê em casos de complicações.

Seguindo diretrizes do Ministério da Saúde, os nascimentos devem ocorrer em maternidades equipadas e com equipes especializadas. Para garantir esse atendimento, a Administração de Fernando de Noronha custeia a passagem para Recife e hospedagem das gestantes a partir de 28 semanas até o nascimento dos filhos.

Hospital atende moradores e turistas

O Hospital São Lucas é o único hospital do arquipélago e presta assistência à população local e aos milhares de visitantes que passam pela ilha ao longo do ano.

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A unidade funciona oficialmente desde 1965 e oferece atendimentos de urgência, emergência e consultas em especialidades como Pediatria, Ginecologia e Radiologia, além de contar com o suporte do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar disso, não dispõe de maternidade nem de UTI, fatores que impedem a realização programada de partos.

Tema já gerou polêmica

A proibição de nascimentos em Fernando de Noronha é alvo de debates há anos e divide opiniões entre moradores da ilha. Muitas mulheres defendem o direito de terem seus filhos no arquipélago, tema que ganhou repercussão nacional com o documentário Proibido Nascer no Paraíso.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2020, quando a empresária Alyne Dias Luna se recusou a deixar Fernando de Noronha para dar à luz. Na época, ela alegou receio de contrair Covid-19 durante a viagem ao Recife.

Mesmo sem o consentimento da gestante, o Governo de Pernambuco organizou o transporte aéreo para que o parto fosse realizado em uma maternidade da capital, seguindo o protocolo vigente.

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