Lipedema: sinais e novas perspectivas de tratamento

O lipedema vem ganhando visibilidade no Brasil, especialmente entre mulheres que procuram atendimento médico por alterações no volume dos membros inferiores (coxas e pernas), dores e dificuldade para reduzir o depósito de gordura, mesmo após o emagrecimento. Frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos, a condição desperta interesse nos consultórios e nas redes sociais. […]

4 nov 2026 - 09h11
Resumo
O lipedema, condição que atinge sobretudo mulheres, provoca o acúmulo desproporcional e doloroso de gordura nos membros, persistindo mesmo com o emagrecimento. Marcada por sensibilidade, peso e hematomas, a doença poupa mãos e pés, facilitando o diagnóstico diferencial. O manejo inclui exercícios, dieta, compressão, drenagem e, às vezes, lipoaspiração. Embora agonistas de GLP-1 mostrem potencial preliminar no alívio de dores, faltam estudos conclusivos para comprovar sua eficácia no tratamento.

O lipedema vem ganhando visibilidade no Brasil, especialmente entre mulheres que procuram atendimento médico por alterações no volume dos membros inferiores (coxas e pernas), dores e dificuldade para reduzir o depósito de gordura, mesmo após o emagrecimento. Frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos, a condição desperta interesse nos consultórios e nas redes sociais.

Apesar da maior atenção ao tema, o diagnóstico ainda representa um desafio, devido à semelhança dos sintomas com os de outras doenças. A médica dermatologista Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Taciana Dal'Forno Dini, explica que reconhecer os sinais é fundamental para buscar avaliação especializada e definir os cuidados adequados. A Dra. Taciana foi autora principal de um artigo de revisão publicado nos Anais Brasileiro de Dermatologia em 2026 sobre o tema.

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"O lipedema acomete principalmente mulheres, com aumento desproporcional, simétrico e doloroso do tecido adiposo, sobretudo nos membros inferiores. Uma característica é a persistência desse acúmulo mesmo após a perda de peso", afirma.

Além dos membros inferiores e dos quadris, o lipedema pode também atingir os braços. Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas estão entre os sintomas mais frequente. Pés e mãos costumam ser preservados, uma característica que auxilia na diferenciação de outras causas de aumento do volume dos membros.

Entre as medidas de cuidado destacadas pela dermatologista estão a prática regular de atividade física, a orientação alimentar, o uso de peças de compressão e a drenagem linfática manual, conforme as necessidades de cada paciente. O objetivo é aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Em relação às modernas tecnologias de tratamento corporais, apenas 2 estudos avaliam o resultado das ondas acústicas na melhora da condição.

Em casos selecionados, a lipoaspiração pode ser indicada, após avaliação individualizada dos benefícios, riscos e recuperação.

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Medicamentos em estudo

O uso crescente de agonistas do receptor de GLP-1, classe de medicamentos empregada no tratamento do diabetes e da obesidade, também desperta interesse sobre seus possíveis benefícios para pacientes com lipedema. A dermatologista ressalta, porém, que as evidências científicas ainda são preliminares.

"Uma série de casos publicada em 2025 acompanhou cinco mulheres com lipedema e resistência à insulina que receberam exenatida semanalmente, durante três a seis meses. O estudo observou melhoras em parâmetros como dor e espessura do tecido adiposo. Entretanto, o pequeno número de participantes e a ausência de um grupo de comparação impedem conclusões definitivas sobre a eficácia do medicamento."

Segundo a especialista, os pesquisadores buscam compreender se os efeitos desses medicamentos sobre o apetite e o metabolismo, além de possíveis ações sobre a inflamação e a fibrose, poderiam trazer benefícios às pacientes. Essas hipóteses ainda precisam ser confirmadas por estudos mais amplos.

"Existe uma perspectiva, mas ainda não sabemos se esses medicamentos vão auxiliar no lipedema, reduzindo o volume dos membros e melhorando a dor de forma consistente. Precisamos de ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar a eficácia e a segurança", ressalta.

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Em caso de suspeita da doença, a orientação é procurar um médico dermatologista para avaliação e acompanhamento adequados. Os profissionais habilitados podem ser consultados no site http://www.sbdrs.org.br/ .

*Com a informação SBDRS/Assessoria

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