Universidades no Paraná e o CRM-PR tomam medidas diante de denúncias de mensagens discriminatórias e de intolerância envolvendo estudantes de medicina, reafirmando o compromisso com ética e respeito na formação acadêmica.
A repercussão dos casos envolvendo estudantes de medicina de duas universidades privadas do Paraná vem ganhando desdobramentos nesta semana. Após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25, alunos da UniCesumar e do Centro Universitário FAG (Fundação Assis Gurgacz) expuseram mensagens de ataque feitas por colegas de curso.
UniCesumar
Neste sábado, 31, a UniCesumar comentou o caso de Maringá. Em prints de mensagem que circulam pelas redes, estudantes da instituição teriam reclamado do resultado da eleição, debochado de colegas bolsistas e chegado a fazer referências nazistas e supremacistas.
Segundo a instituição, foi aberta uma sindicância interna para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da universidade.
"A reitoria da UniCesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade", afirma a nota divulgada pela UniCesumar. "As medidas disciplinares foram: advertências, suspensões e desligamentos do quadro discente da Instituição, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada."
Centro Universitário FAG
Na quarta, 28, o Centro Universitário FAG publicou uma nota em que diz ter aplicado advertências e determinado a suspensão de três estudantes do curso de medicina de Cascavel. O caso também envolve mensagens de teor similar.
"Reiteramos que a formação universitária vai além da aquisição de conhecimentos técnicos e científicos. Ela pressupõe responsabilidade ética, respeito às diferenças, compromisso com a dignidade humana e consciência do impacto de nossas atitudes na coletividade", diz a nota da instituição.
"O Centro FAG continuará conduzindo os procedimentos cabíveis com seriedade e responsabilidade, reafirmando seu compromisso com um ambiente acadêmico pautado pelo respeito, pela ética e pela convivência democrática."
Conselho Regional de Medicina do Paraná
O Conselho Regional de Medicina do Paraná comentou os casos na terça, 27, quando publicou uma nota. A seguir, leia o texto na íntegra.
"O CRM-PR manifesta seu repúdio diante das denúncias de atos de intolerância dirigidos a estudantes de Medicina, nas cidades de Cascavel e Maringá, por parte de seus próprios colegas.
Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza.
A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica.
O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes."
Minas Gerais
O Paraná não foi o único estado a ter situações desse tipo. O Centro Universitário Imepac, em Araguari, em Minas Gerais, instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar ofensas de alunos do curso de medicina enviadas a colegas bolsistas em um grupo em um aplicativo de mensagens. Os áudios foram enviados após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito.
"Diante dos episódios de intolerância relatados nesta semana contra estudantes, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis, com rigorosa observância das normas regimentais e do direito de defesa", informou a instituição.
Nos áudios enviados, dois estudantes insultaram os colegas que vendem trufas e outros produtos para ajudar a pagar a faculdade, além dos que recebem bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) ou têm financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
"Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado. Vai enfiar tudo no c*, seus petistas do caralh*. Quero que vocês enfiem essas merd* que vocês vendem tudo no meio do c*, seus petistas do caralh*", disse uma das alunas.
Já o outro enviou: "Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa, trazer emoji do Lula, falar que as minas gostosas que estão com o Lula. Vai todo mundo se f*. Pega a porr* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a porr* do MST".