Donald Trump afirmou que Flávio Bolsonaro pode permanecer nos EUA por tempo indeterminado sob liberdade condicional humanitária, após o ex-candidato deixar o Brasil em meio a investigações por lavagem de dinheiro e ordem de retenção de passaporte pelo STF. Criticando a eleição brasileira, a declaração de Trump acentua tensões bilaterais, apesar de o secretário Marco Rubio dialogar com a diplomacia do Brasil e de o governo americano negar envolvimento oficial ou apoio político direto a Flávio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de sábado que o candidato derrotado à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, pode permanecer nos EUA por tempo indeterminado.
Os comentários, feitos a jornalistas durante uma festa de Halloween no clube Mar-a-Lago, de Trump, na Flórida, sugerem que as relações entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental podem permanecer tensas por algum tempo, mesmo que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tenha conversado com o chefe da diplomacia brasileira no início do dia.
"Ele pode ficar aqui o tempo que quiser", disse Trump sobre Flávio, que saiu do Brasil após perder a eleição para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. "Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha", afirmou Trump.
A embaixada brasileira em Washington não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters para comentário.
Observadores externos descreveram a eleição como livre e justa. A decisão de Flávio de ir para os EUA ocorreu após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para retenção de seus passaportes, já que o ex-candidato enfrenta duas investigações federais por lavagem de dinheiro no Brasil e a polícia considerava que ele poderia fugir.
Flávio foi admitido nos Estados Unidos sob "liberdade condicional humanitária", um status que normalmente dura apenas um ano.
Rubio havia dito no início do sábado que conversou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, em uma reunião do Grupo dos 20 em Atlanta, e que eles se encontrariam novamente em algumas semanas.
Em comentários que apontaram para uma possível reaproximação, Rubio disse a jornalistas que ele e Vieira deveriam se encontrar novamente na França, em uma cúpula de ministros das Relações Exteriores do G7 que ocorrerá no próximo mês. O Brasil deve participar da reunião como observador, observou ele. nL2N46H05F
Uma autoridade norte-americana e uma fonte a par do assunto disseram à Reuters que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio, apesar de ter permitido sua entrada nos EUA. Trump afirmou no sábado que não tem planos de se encontrar com o brasileiro.
Rubio disse no sábado que o governo dos EUA "não esteve diretamente envolvido em nenhuma das medidas" que levaram à saída de Flávio do Brasil no início desta semana. No entanto, a Reuters e vários outros veículos de comunicação noticiaram que Jason Miller, um funcionário da Casa Branca, ajudou a organizar a viagem do brasileiro.