O laudo necroscópico de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, aponta que o jovem foi atingido por pelo menos 12 tiros e sofreu outros oito ferimentos de raspão durante uma abordagem da Polícia Militar na região de Moema, na zona sul de São Paulo. O documento foi obtido pela TV Globo e divulgado nesta sexta-feira, 23.
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Segundo o exame, quatro disparos foram fatais: três atingiram o tórax e um, o abdômen. Ao todo, o laudo identifica pelo menos 20 ferimentos provocados por tiros, entre perfurações e lesões de raspão.
Os números diferem das informações iniciais do boletim de ocorrência, que apontavam 27 ferimentos no corpo de Gustavo. O registro também indicava que os quatro policiais militares envolvidos haviam efetuado 45 disparos.
O caso ocorreu na madrugada de 10 de outubro. Os policiais foram acionados para atender uma ocorrência de suposta tentativa de suicídio. Durante a abordagem, Gustavo apontou um celular na direção dos agentes, que, segundo o boletim de ocorrência, confundiram o aparelho com uma arma de fogo.
Imagens de câmeras de segurança registraram a ação e mostram que o jovem também foi atingido por disparos quando já estava caído no chão.
Os quatro policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. A morte é investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela própria Polícia Militar, que instaurou um inquérito para apurar a conduta dos agentes.
Em manifestação anterior, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta e que eventuais irregularidades serão punidas.
A mãe de Gustavo, Santiana Munis, criticou a versão apresentada pelo secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, de que os policiais agiram em legítima defesa e seguiram o protocolo da corporação. Em entrevista ao Fantástico, no domingo, 18, ela questionou a quantidade de tiros disparados contra o filho.