A imprensa francesa destaca a disputa acirrada no segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. Em empate técnico com 52% a 48%, os veículos ressaltam as estratégias opostas: Flávio amplia alianças com ex-adversários para manter a liderança do primeiro turno, enquanto Lula aposta nas redes sociais para atrair indecisos e abstenções. Para os jornais, o grande desafio petista é entender a migração de votos e reverter a desvantagem histórica de 2,2 milhões de eleitores.
A imprensa francesa segue de perto a eleição presidencial brasileira e, desde os resultados das urnas em 4 de outubro, vem repercutindo a campanha para o segundo turno.
"Flávio Bolsonaro obtém o apoio de candidatos nanicos" é o título de uma reportagem publicada no site da emissora France 24. O texto destaca que o candidato do PL passou a contar com o respaldo de antigos adversários, como Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que, juntos, somaram mais de 5% dos votos no primeiro turno.
Os sites do jornal Le Figaro e do diário regional Sud Ouest também ressaltam a diferença de estratégia entre os dois concorrentes. Enquanto Flávio Bolsonaro aposta na ampliação de alianças políticas, Lula intensifica sua presença nas redes sociais na tentativa de atrair eleitores indecisos. A France 24 lembra ainda que uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) atribui 52% das intenções de voto ao candidato da extrema direita, contra 48% do líder petista. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a disputa segue tecnicamente empatada.
Já o site da rádio Europe 1 classifica o segundo turno como "histórico", após um primeiro turno que contrariou as expectativas de boa parte dos analistas políticos. Flávio Bolsonaro terminou a votação de 4 de outubro na liderança, com 47,03% dos votos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,16%. Na véspera da eleição, diversos institutos de pesquisa projetavam cerca de 40% para Lula e 36% para o candidato do PL.
Reverter desvantagem
"A equipe de campanha do presidente em fim de mandato enfrenta em uma situação delicada", afirma a reportagem da Europe 1. Segundo o veículo, Lula precisa reverter uma desvantagem de pouco mais de 2,2 milhões de votos, a menor diferença já registrada entre os dois primeiros colocados de um primeiro turno presidencial.
A emissora observa que esse cenário ainda pode mudar caso parte dos eleitores que votaram em branco ou nulo no primeiro turno decida escolher um dos dois candidatos na votação de 25 de outubro. Além disso, segundo uma pesquisa Real Time Big Data encomendada pela CNN, 7% dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno afirmam que pretendem comparecer às urnas no segundo.
Para a Europe 1, contudo, o principal desafio de Lula é compreender as razões que levaram parte de seu eleitorado a migrar para Flávio Bolsonaro. Na avaliação da emissora, a campanha petista precisará se reconectar com as preocupações consideradas prioritárias pelos brasileiros para tentar reverter o resultado nas próximas semanas.