Médica que mandou trancar petistas em hospital durante as eleições é afastada

Marcella Segato orientou profissionais de maternidade em Goiânia a não darem alta a 'pacientes petista' no último fim de semana

7 out 2026 - 15h12
Médica Marcella Segato foi afastada após orientar funcionários a não darem alta a pacientes petistas
Médica Marcella Segato foi afastada após orientar funcionários a não darem alta a pacientes petistas
Foto: Reprodução/Facebook/dra.marcellasegato

A médica Marcella Segato de Sousa Melo foi afastada após orientar profissionais de saúde a não darem alta a pacientes petistas durante o fim de semana de eleições. A informação foi confirmada pelo Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira, 7.

As mensagens foram publicadas pela médica em um grupo de Whatsapp, no dia 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições. "Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista", escreveu Marcella, que é ginecologista e obstetra.

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Nos prints da conversa obtidos pela TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo, é possível ver que 12 pessoas reagiram com emojis de risada, da bandeira do Brasil e com sinal de positivo. Um dos funcionários da maternidade respondeu: "Combinado". O caso foi denunciado ao Ministério Público de Goiás.

Prints de conversa no Whatsapp mostram a orientação da médica
Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Em nota, o hospital lamentou o ocorrido e afirmou que "não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente".

"As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade", escreveu a instituição.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informou que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada. A Secretaria também ressaltou que reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

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O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) declarou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética da médica foram recebidas e estão sendo apuradas, tramitando em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.

O que diz a médica

Em nota enviada à imprensa, Marcella pediu desculpas às pacientes e suas famílias, aos colegas, aos internos e ao hospital, e afirmou que lamenta profundamente que suas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou sua atuação profissional. Ela acrescentou que, desde 2017, realizou milhares de partos de "mulheres de diferentes origens e convicções".

"Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu. Da mesma forma, nenhuma avaliação levou em conta preferência política. O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação", declarou.

Fonte: Portal Terra
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