O presidente do Google Brasil, Fabio Coelho, afirmou na quarta-feira (19) que a Inteligência Artificial (IA) pode aprimorar os processos jornalísticos e ampliar significativamente o acesso à informação, mas não pode substituir o jornalismo investigativo nem o critério crítico dos profissionais de imprensa.
A declaração foi dada à ANSA durante um painel sobre IA e mercado de trabalho organizado pela Conecta TMC ? divisão empresarial da Transamerica Media Company. Na ocasião, Coelho reforçou que a incorporação dessas tecnologias ao jornalismo deve vir acompanhada de "informação de qualidade" e de "profissionais capazes de verificar e contextualizar os dados".
"A inteligência artificial aplicada ao jornalismo serve para melhorar os processos, mas estes melhoram quando contam com bons insumos que resultam em um produto melhor", pontuou o presidente do Google Brasil.
"Nada substitui o jornalismo investigativo, com sua visão crítica, sua inspiração, a verificação de dados e a compreensão das fontes", acrescentou.
Segundo Coelho, a velocidade e a capacidade da IA de processar grandes volumes de informações farão com que a capacidade dos jornalistas de formular as perguntas adequadas adquira uma importância crescente.
"Um bom jornalista não deve apenas se destacar na identificação de fatos, na verificação de fontes e na veracidade das informações, mas também deve saber escrever para o algoritmo e formular a pergunta certa", explicou Coelho ao destacar o papel da chamada "engenharia de prompts".
O executivo considerou ainda que o aumento exponencial do volume de informações disponíveis e a proliferação de narrativas farão com que "o jornalismo de qualidade ganhe mais valor como ferramenta de seleção, verificação e contextualização".
"O jornalismo de baixa qualidade, que se limita à reprodução, à cópia ou à combinação, não irá muito longe", concluiu.