Em primeiro debate, Flávio e Lula trocam ataques sobre Lulinha e Vorcaro

18 out 2026 - 23h30
Resumo
O primeiro debate presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula foi marcado por forte tensão e ataques mútuos. O senador vinculou o petista e seu filho a escândalos no INSS, enquanto Lula cobrou explicações sobre a ligação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre acusações de corrupção, quebra de sigilo e confrontos no palco, discutiu-se a gestão da pandemia e propostas para endividamento, com Flávio sugerindo congelar dívidas e Lula defendendo o Desenrola e a responsabilidade fiscal.

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio ‌Lula da Silva (PT), na noite deste domingo, foi marcado por diversas trocas de ataques e momentos de tensão, com o senador acusando o filho do presidente de irregularidades enquanto o candidato à reeleição cobrou explicações do adversário sobre as relações com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.

O candidato do PL insistiu desde o início em vincular Lula à advogada Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no escândalo do INSS e ligada a Fábio Luiz Lula da Silva, filho mais velho de Lula. O presidente, por sua vez, cobrou que Flávio desse explicações sobre suas relações com o ⁠banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e os pedidos de recursos que fez a ele para o filme "Dark Horse", sobre a vida de seu pai, ‌Jair Bolsonaro.

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"Lula, você conhece Roberta Luchsinger?", questionou Flávio logo no início do debate promovido pela TV Band. Na véspera, a CNN Brasil veiculou uma entrevista de Luchsinger na qual a lobista fez acusações contra Lulinha e Lula.

O presidente respondeu que cabe à Polícia Federal investigar a advogada. "Quero ‌ver no depoimento se ela vai contar as mentiras que ela contou ontem", disse Lula, ‌que, por sua vez, disse a Flávio várias vezes que explicasse o pedido de R$134 milhões feito a Vorcaro para o filme "Dark ⁠Horse".

"Eu já dei as explicações que tinha que dar", disse Flávio em relação ao caso "Dark Horse".

Lula chegou a propor um "desafio" a Flávio, em que os dois abrissem suas contas bancárias e de seus familiares, assim como seus sigilos telefônicos, para que "o povo saiba quem é ladrão neste país". Flávio rebateu acusando Lula de receber dinheiro "por fora" e que portanto não estaria em sua conta bancária.

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Em um dos momentos de tensão, os dois ficaram a centímetros um do outro e Flávio cobrou que Lula o respeitasse. 

"Você me respeita que eu tive 56 milhões de votos. Estou esfregando umas ‌verdades na sua cara... O Brasil vai te aposentar", disse Flávio.

Lula, por sua vez, lembrou que o senador é alvo de investigações e disse que essas ‌investigações vão avançar se Flávio perder as eleições.

"Você ⁠vai perder a imunidade e a sua ⁠vida tem muito inquérito que agora vai andar", afirmou. O presidente também reclamou que o senador não respondia ao que era perguntado e abordava assuntos diferentes ⁠do que haviam sido abordados no questionamento ao responder.

As regras do debate permitiam que os ‌candidatos se movimentassem livremente pelo palco, o ‌que Flávio fez muito mais do que Lula, muitas vezes reagindo com gestos e expressões faciais às falas do petista, o que gerou tensão em diversos momentos.

"Se ele estiver zombando de mim, eu quero direito de resposta, porque eu não sou palhaço, quem é palhaço aqui é ele", disparou Lula aos mediadores em um momento em que percebeu a movimentação de Flávio atrás de si.

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Flávio pediu alguns ⁠direitos de resposta, por exemplo quando Lula disse que não ficaria perto dele pois queria "distância de miliciano" e quando o presidente o chamou de "malandro carioca". Em uma dessas vezes foi concedido direito de resposta ao senador.

Ao ouvir de Lula que não queria ficar perto dele, Flávio disse que isso seria bom pois assim não corria risco de ter sua carteira roubada. O senador também chamou Lula de "corrupto".

SAÚDE E DÍVIDAS CONGELADAS

Em um debate, no geral, sem muitas propostas de ambas as partes, Flávio disse que daria ‌ao Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão do hospital Albert Einstein, ao que Lula questionou se ele pretendia privatizar o SUS. Em uma pergunta dos mediadores sobre saúde, o senador fez, em suas palavras, um "mea culpa" sobre o desempenho do governo de seu pai no setor.

"De fato, ⁠a saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado durante o governo do presidente Bolsonaro, eu faço aqui esse mea culpa", disse Flávio.

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Lula lembrou os mais de 700 mil mortos na pandemia e o comportamento de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

Ao bater na tecla do endividamento das famílias brasileiras, Flávio prometeu que, se eleito, congelará as dívidas de pessoas físicas por seis meses e de pessoas jurídicas por um ano.

"No meu governo a gente vai comprar a sua dívida dos bancos", disse Flávio. "Para você que é pessoa física, vai ficar seis meses congelada, parada, a sua dívida, você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano, um ano sem pagar seus boletos", prometeu.

Em resposta, Lula lembrou que na nova fase do programa Desenrola, o governo irá comprar dívidas que as pessoas têm nos bancos com descontos da ordem de 90% e afirmou, ironicamente, que Flávio tem acompanhado o que tem sido feito por seu governo.

O senador, por várias vezes, responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio adotará o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e apontou o aumento da pobreza no país vizinho. O presidente prometeu ainda que cuidará do povo brasileiro "com muita responsabilidade fiscal".

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