Dilma diz que acusação em pedido de impeachment é "ridícula"

29 abr 2016 - 13h46
(atualizado às 14h15)

A presidente Dilma Rousseff classificou de “ridícula” as acusações que embasam o seu pedido de impeachment e afirmou que sua luta é para garantir “direitos sociais históricos”, durante cerimônia no Palácio do Planalto em que renovou a duração do programa Mais Médicos.

“Tenho clareza que é ridícula a acusação. Porque o que fizemos foi garantir programas sociais, garantir programas como o Plano Safra para a agricultura e garantir o programa de sustentação de investimento para a indústria”, afirmou. 

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“Há de fato um processo que está em curso e esse processo tem nome: o nome é golpe."

A cerimônia em que assinou a medida provisória em que estende a duração do programa Mais Médicos, incluindo a manutenção do convênio com o governo de Cuba para manter no Brasil profissionais daquele país, marcou o início da ofensiva da presidente, no que devem ser seus últimos 15 dias antes de seu afastamento pelo Senado, para mostrar as ações do governo.

Com a grande possibilidade de ter de deixar o Planalto, Dilma quer apresentar tudo o que for possível e deixar o mínimo para o vice-presidente Michel Temer, que assumirá caso o Senado aprove o afastamento da presidente.

A cerimônia no Palácio do Planalto se tornou mais um ato contra o impeachment, mas em um tom muito abaixo das manifestações de apoio acontecidas antes da admissibilidade do impedimento na Câmara, há duas semanas.

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Cerca de 500 pessoas ligadas à área da saúde assistiram à cerimônia e gritos esporádicos de “não vai ter golpe” e “Dilma, guerreira do povo brasileiro” surgiam, assim como de “Fora Cunha” e “Tira o Temer” mas com menos entusiasmo do que há algumas semanas.

Dilma defendeu o programa, muito criticado no seu lançamento, há quase três anos, e lembrou que existem hoje mais de 18 mil médicos atuando no país pagos pelo governo federal. Desses, mais de 70 por cento são estrangeiros, a maioria cubanos, dentro do convênio entre os dois países.

“Ampliamos sim os gastos em saúde e ainda é necessário fazer mais. Qualquer um que propõe fazer ajuste fiscal diminuindo a despesa com saúde da população está propondo um grande retrocesso”, afirmou.

“Muito pior se ousar acabar com a vinculação obrigatória e constitucional na área da saúde. Além de rasgar nossa lei maior, fere direitos básicos do povo brasileiro.”

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Entre as propostas que estão sendo estudadas pela equipe de Temer, em um provável governo a partir do afastamento da presidente, está o fim da vinculação de recursos do Orçamento para Saúde e Educação.

Lançado na metade de 2013, o Mais Médicos foi a principal marca social do governo Dilma para a campanha de reeleição, em 2014.

Inicialmente criticado pelas associações médicas e pela oposição --especialmente pela decisão do governo de fazer convênio com Cuba e importar médicos para preencher as vagas não aceitas por brasileiros-- o Mais Médicos ganhou a aprovação da população e, principalmente, dos prefeitos.

Com dificuldades de contratar médicos, as prefeituras passaram a contar com profissionais entrando apenas com custo de alimentação, transporte e hospedagem.

“Para os prefeitos e prefeitas, representou a possibilidade de garantir o atendimento básico em saúde, especialmente nos locais mais afastados e nas periferias das grandes cidades. Foi a salvação dos prefeitos e prefeitas. Tenho dito que foi o Bolsa Família da saúde”, disse o presidente da Associação Brasileira de Municípios, Eduardo Pereira.

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Presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Márcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte, agradeceu a decisão do governo de estender a permanência dos médicos estrangeiros no Brasil, “especialmente os cubanos, a quem saudamos e agradecemos”.

Na tarde desta sexta-feira, Dilma terá outro ato, desta vez, com assinatura de atos na primeira reunião do Conselho Nacional de Política Indigenista. Entre eles, a homologação de novas terras indígenas.

Foto: Reuters
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