Câmeras flagraram quatro pessoas abandonando o corpo de Jean Victor Sousa Guimarães, morto a tiros, na zona oeste de São Paulo. A vítima estava com as mãos amarradas e a cabeça em um saco plástico. O caso é o 17º registro de corpo desovado na Grande SP desde setembro. Investigado pelo DHPP, o crime segue sob apuração individualizada, pois a Secretaria da Segurança Pública descarta a ligação entre os episódios ou a atuação de um assassino em série, apontando dinâmicas distintas nas ocorrências.
Uma câmera de segurança flagrou o momento em que um grupo de quatro pessoas abandonou um corpo no Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo, na noite de quinta-feira, 22. Esse é o 17º caso registrado na capital e na região metropolitana desde o início de setembro. As imagens foram divulgadas inicialmente pela TV Globo. O Estadão também teve acesso.
No registro, é possível ver um Renault Sandero preto estacionando na Rua Paulo da Silva, próximo ao número 154, às 20h32. Três pessoas que estavam do lado de fora do veículo se dirigem ao porta-malas. Na sequência, o motorista se junta a elas.
O trio retira o corpo do porta-malas e o arremessa em uma área de mata, que fica abaixo de uma mureta, enquanto o motorista observa. Depois, os quatro retornam ao veículo e fogem.
Segundo o boletim de ocorrência, o grupo havia passado pelo local dois minutos antes de descartar o corpo. Eles usavam toucas que cobriam o rosto e dificultavam sua identificação.
O documento aponta que a vítima foi identificada como Jean Victor Sousa Guimarães. O corpo dele estava com as mãos amarradas e a cabeça envolvida em um saco plástico preto.
O tio do jovem, Vinícius dos Santos Sousa, disse aos policiais que Guimarães era natural de Valença, no litoral baiano, e havia se mudado para São Paulo há cerca de dois anos.
Sousa afirmou que não tinha contato com o sobrinho há meses, mas que o jovem era dependente químico e desempregado. Segundo ele, Guimarães morou por um período com a tia, Cristiane dos Santos Lobão, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, mas depois retornou à capital, onde teria passado a cometer pequenos furtos.
O tio relatou que a vítima chegou a se mudar para Santa Catarina em busca de emprego, mas depois voltou a morar com Cristiane em São Paulo. Ele também identificou que Guimarães tinha uma tatuagem com o nome da avó no braço.
Cristiane, por sua vez, disse aos policiais que Guimarães havia ido trabalhar em Santos, no litoral paulista, onde se envolveu em uma briga com um colega de trabalho, que o acusava de furto. Segundo a mulher, a discussão terminou em confronto, e os dois sacaram facas, o que resultou na demissão do jovem.
Depois do ocorrido, Guimarães voltou a morar com Cristiane. Ela afirmou que viu o jovem pela última vez na tarde de quarta-feira, 21, quando ele disse que iria comprar um lanche e não voltou mais.
No boletim de ocorrência, a Polícia Civil afirmou que as primeiras informações indicam que Guimarães foi morto com cinco tiros em um local desconhecido e que o corpo foi descartado na área de mata.
O corpo de Guimarães foi localizado pela Polícia Militar. A corporação afirmou que foi até o local onde a vítima estava após ser acionada, por volta das 20h50, para atender a uma ocorrência de encontro de cadáver.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Outros casos
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que a Polícia Civil investiga de forma individualizada 17 ocorrências registradas como homicídio desde 5 de setembro.
Na capital, foram registrados 14 casos, incluindo o de Guimarães, que estão sob responsabilidade do DHPP. Outros três ocorreram em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo e são apurados pelas delegacias locais.
"Até o momento, não há elementos que indiquem ligação entre as ocorrências ou uma mesma autoria. Os casos apresentam dinâmicas e circunstâncias distintas, e o uso de sacos plásticos ou tecidos em alguns deles, isoladamente, não permite estabelecer relação entre os fatos", afirmou a pasta.
A SSP também mencionou outros dois corpos encontrados na quinta-feira, nas zonas oeste e leste da capital, que são investigados como morte suspeita pelo 7º Distrito Policial, da Lapa, e pelo 69º Distrito Policial, de Teotônio Vilela. Segundo a pasta, nesses dois casos, as vítimas não apresentavam sinais de violência, e as investigações aguardam os resultados dos laudos periciais requisitados para esclarecer as circunstâncias das mortes.
Na quinta-feira, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não havia nenhum indício de que os casos registrados até então tivessem sido cometidos pela mesma pessoa, descartando a possibilidade de atuação de um "serial killer" (assassino em série).