Gestão Tarcísio assina contrato de sede do governo no centro oito meses após leilão; veja cronograma

Expectativa de assinatura era em julho, mas concessionária pediu adiamento para conseguir levantar documentos e financiamento para a PPP

23 out 2026 - 16h59
(atualizado às 17h01)
Resumo
A gestão Tarcísio de Freitas assinou a concessão de 30 anos com o consórcio Novo Centro para construir a nova sede do governo paulista nos Campos Elíseos. A parceria prevê R$ 6,1 bilhões em investimentos, com início das obras em 2027 e entregas a partir de 2028 até 2031. O projeto reunirá 22 mil servidores em sete prédios, exigindo a desapropriação de 312 imóveis e reassentamento de famílias, visando revitalizar a região central com novas áreas verdes e restauros históricos.

Oito meses após o leilão na B3, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) assinou nesta quinta-feira, 22, o contrato de concessão para construção e administração da nova sede do governo de São Paulo nos Campos Elíseos, no centro da capital. A parceria público-privada (PPP) tem duração de 30 anos e prevê investimento de R$ 6,1 bilhões.

Publicidade

O consórcio Novo Centro, liderado pela construtora RZK, venceu a licitação em fevereiro. Como o Estadão mostrou, já na época, o prazo para erguer o novo centro administrativo, até 2031, preocupava a concessionária.

A estimativa inicial, porém, era assinar o contrato em julho e já dar início ao projeto. Idealizador da nova sede, o secretário estadual de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, afirma que a assinatura foi postergada por pedido da concessionária. "Eles pediram adiamento para poder cumprir todas as metas, levantar documentos e recursos, buscar fontes de financiamento em um mercado extremamente complexo."

A obra inclui a desapropriação de 312 imóveis para a construção de sete novos prédios nos arredores da Praça Princesa Isabel. As negociações com os atuais moradores devem começar ainda este ano. A previsão é de que as intervenções nos Campos Elíseos comecem em 2027 e sejam entregues gradualmente a partir de 2028.

O governo afirmou já ter reservado R$ 500 milhões para as desapropriações. Estimativa da gestão prevê gastos de R$ 676,9 milhões com o processo.

Publicidade

A concessionária ficará responsável pela habitação para as famílias de baixa renda desapropriadas ou removidas. O contrato prevê que as moradias sejam em bairros em um raio de até 3 km da atual residência — com exceção de pessoas que prefiram, por desejo próprio, mudanças para áreas mais distantes.

Uma das principais promessas do primeiro mandato de Tarcísio, o projeto pretende criar uma esplanada nos arredores do Parque Princesa Isabel, para onde serão transferidas as sedes de secretarias e órgãos estaduais e seus 22 mil funcionários.

A concessionária ficará responsável pela administração, segurança e zeladoria de 60 mil m² ao redor da praça. O Estado irá pagar mensalmente até R$ 76,6 milhões pelos serviços. O consórcio também poderá arrecadar verbas com o aluguel das fachadas ativas — os novos prédios de escritório para a administração pública terão o térreo disponível para comércios e restaurantes, somando 23 mil m² —, estacionamento, locação do centro de eventos e naming rights do futuro teatro.

Quando Tarcísio fez a promessa do novo centro administrativo, em julho de 2022, próximo à eleição que lhe renderia o primeiro mandato, ele defendia a mudança para a Cracolândia, historicamente nos Campos Elíseos. "Se o poder estiver lá, as pessoas vão voltar a circular e a segurança pública será reforçada."

Publicidade

A licitação demorou quatro anos para sair e a concentração de dependentes químicos foi esvaziada — medida que levou ao anúncio pela gestão do fim da Cracolândia.

O centro, no entanto, continua com as cicatrizes de anos de degradação, e o governo aposta no projeto para revitalizar e levar mais moradias para o bairro. "É importante que as pessoas comecem a perceber que a intervenção no centro é para valer. O centro administrativo dá um choque muito grande numa região que, até pouco tempo, era o berço do crime organizado", defendeu Afif sobre o projeto.

O projeto prevê a requalificação da região, incluindo o restauro de 17 imóveis tombados e a ampliação de 40% das áreas verdes. A zeladoria e segurança do Parque Princesa Isabel e do Largo Coração de Jesus serão de responsabilidade da concessionária.

O terminal de ônibus Princesa Isabel será desativado para a expansão da praça, que irá da Avenida Duque de Caxias até a Alameda Glete. Ele será substituído pelo terminal Luz, que será construído em uma das saídas da estação de metrô.

Publicidade
Imagem aérea do Parque Princesa Isabel, no Campos Elíseos, centro de São Paulo, onde será construída a nova sede do governo de São Paulo.
Imagem aérea do Parque Princesa Isabel, no Campos Elíseos, centro de São Paulo, onde será construída a nova sede do governo de São Paulo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Como o projeto só será finalizado daqui a dois mandatos, a decisão sobre quais secretarias migrarão para o novo centro administrativo ficará a cargo de quem estiver no comando do Estado na época.

A gestão Tarcísio de Freitas prevê que todas as pastas sejam transferidas. Segundo a projeção, o gabinete do governador será o último a ser transferido, por questões de segurança. O Palácio dos Bandeirantes, porém, seguirá como a residência oficial do governador.

Ainda não há previsão de quando as secretarias começarão a ser transferidas para os novos prédios. Mas o governo Tarcísio pretende começar a desativar nas próximas semanas prédios que atualmente funcionam como escritórios para a administração pública.

A sede da Secretaria de Esportes, no Banco de São Paulo, e das secretarias de Turismo e da Agricultura, no antigo Hotel Esplanada, serão transferidas para os edifícios Cidade 1 e Cidade 2, na Rua Boa Vista. Como o Estadão mostrou, a ideia é realocar as pastas para poder leiloar esses prédios tombados, que atualmente pertencem ao governo.

Publicidade

Segundo Afif, o leilão do Banco de São Paulo e do antigo Hotel Esplanada deve ocorrer em 2027. O objetivo é que o novo proprietário realize o retrofit dos prédios para que eles possam servir para lazer, moradia e hotelaria.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se