Edneia Fernandes Silva, de 31 anos, morreu na última quarta-feira, 27, após ser atingida por uma bala perdida durante uma ação de patrulhamento da Polícia Militar, em uma praça no Bom Retiro, na Zona Noroeste de Santos, litoral paulista. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
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O caso ocorreu por volta das 18h de quarta-feira, 27, na Praça José Lamacchia. Ao Terra, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que policiais militares patrulhavam no local quando viram dois homens em uma moto em alta velocidade que ignoraram a ordem de parada dos agentes. Na fuga, eles teriam atirado cinco vezes contra os policiais, que revidaram os disparos.
Durante a suposta troca de tiros, Edneia teria sido atingida na cabeça, enquanto conversava com uma amiga na praça. Ela foi socorrida por moradores até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste e, posteriormente, transferida para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu.
Religiosa e mãe de seis filhos
Edneia atuava como cabeleireira, e tinha seis filhos. Nas redes sociais, ela compartilhava a vida que levava junto dos pequenos e do marido. Além da rotina, a vítima costumava postar fotos com frases religiosas.
“Eu sei! Alguém lá de cima me ama e me quer bem”, escreveu em uma publicação feita no início do ano. “Os planos de Deus são sempre melhores que os nossos sonhos”, disse em outra.
No Facebook, o marido da cabeleireira lamentou a morte dela. “Tô sem direção, sem carinho e sem razão. [...] E a casa que a gente comprou, do jeito que você sonhou, agora tá trancada com meu coração, com o nome na fachada escrito solidão. Eu tô sofrendo tanto, vou lutar até o fim para fazer do jeito que você sempre sonhou, vou cuidar dos nosso filhos até o meu último suspiro de vida.Te amo e obrigado por tudo”.
De acordo com a SSP, na ação, uma motocicleta foi apreendida. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. A versão contada pela família da vítima é outra, de acordo com o Bom Dia SP, da TV Globo. Conforme a reportagem, os familiares alegaram que não houve confronto no local, e que os policiais militares é que atiraram. As armas usadas no suposto confronto foram apreendidas e devem ser periciadas.
Em nota ao Terra, a SSP informou que todas as circunstâncias relativas aos fatos são rigorosamente investigadas pelo 5º DP de Santos e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM). Exames periciais foram solicitados e, tão logo os laudos sejam concluídos, serão remetidos à autoridade policial para análise e esclarecimento do caso.