Um caso de homofobia no shopping Iguatemi, na zona sul de São Paulo, viralizou nas redes sociais esta semana. Em vídeo, uma mulher aparece chamando um homem de "bicha nojenta" durante discussão em uma cafeteria do shopping. Ela foi presa em flagrante por injúria, conseguiu liberdade provisória e agora cumpre medidas cautelares até o julgamento do caso, estando proibida, por exemplo, de voltar ao Iguatemi. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Adriana.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, a mulher é Adriana Catarina Ramos de Oliveira, de 61 anos. Em suas redes sociais, ela se diz jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e com passagens pelas emissoras TV Globo, TV Cultura e Record TV. O Estadão tenta contato com a universidade e com as emissoras para confirmar as informações.
Em uma foto publicada por Adriana em seu perfil do Instagram, ela aparece como repórter da Globo entre as décadas de 1980 e 1990, em São José do Rio Preto, interior de São Pulo. Na região, ela teria sido repórter e apresentadora do jornal local.
Adriana também teria passado pela EPTV, filiada da Rede Globo em Campinas, apresentando o programa sobre cinema Ver e Rever entre 1997 e 1998, e pela Rede Globo São Paulo, editando programas como Bom Dia SP e Jornal Hoje em 1999.
Na Record, ficou por cinco anos, de 2000 a 2005, atuando como repórter do telejornal Fala Brasil. E na TV Cultura, por um ano, em 1998, como repórter dos telejornais 60 Minutos, Repórter Eco, Jornal da Cultura.
O LinkedIn de Adriana mostra que, atualmente, ela trabalha como freelancer em assessoria de imprensa. Além disso, no Instagram, ela compartilha conteúdos sobre religião, astrologia e vida extraterrestre e afirma ser autora de dois livros: "Uma Prova do Céu" e "Cartas Celestes".
A reportagem não encontrou os livros que Adriana diz ter escrito. Existem obras com o mesmo nome disponíveis online, mas escritos por outros autores.
Recorrência
Nesta segunda-feira, 16, um novo vídeo em que Adriana aparece proferindo insultos homofóbicos começou a circular nas redes sociais. Nas imagens, ela chama o homem de "boiola depilada", faz gestos obscenos e, se exibindo para a câmera, diz que ele pode postar o vídeo na internet.
De acordo com uma página no Instagram que compartilha conteúdos de interesse LGBT+, o vídeo teria sido filmado por um vizinho dela, dentro de um edifício no centro de São Paulo, logo após ela ter sido liberada da prisão em flagrante. O homem diz no vídeo que ela foi presa, mas não mudou de atitude.
A identidade da vítima não foi revelada e, por isso, o Estadão não conseguiu contato com ela.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não há, até a manhã desta terça-feira, 17, nenhum documento novo juntado aos autos referentes à prisão em flagrante e audiência de custódia realizada neste domingo, 15. Também não consta no sistema do TJSP nenhuma nova prisão dela.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que a Polícia Militar foi acionada para atender à ocorrência na tarde desta segunda-feira, 16, na Avenida Angélica, mas não houve flagrante e, até o momento, não foi feito o boletim de ocorrência.
"Foi constatado que houve uma discussão entre uma mulher e três homens, que relataram terem sido vítimas de homofobia. A mulher foi conduzida à delegacia, onde foi ouvida e liberada, já que as vítimas não estavam no local para formalizar o flagrante, como determina a legislação", diz a SSP.
"As vítimas chegaram posteriormente e optaram por fazer o registro do caso pela Delegacia Eletrônica. Tão logo o BO seja deferido, a ocorrência será encaminhada ao DP da área para que seja devidamente investigado", afirma a pasta.
Entre as medidas cautelares importas pela Justiça a Adriana, está o comparecimento mensal em Juízo para informar e justificar suas atividades. Se comprovado mau comportamento e reincidência, ela pode voltar a ser presa.