Polícia prende suspeitos de invadir sistema de cartões e fazer compras fraudulentas no RS

Operação Tessera Signata cumpre 36 mandados em três Estados

26 ago 2026 - 09h43
Resumo
A Polícia Civil deflagrou a Operação Tessera Signata no RS, MG e SP contra uma organização que invadiu o sistema de uma operadora de cartões. Com credenciais da dark web, o grupo alterava limites e usava dados de clientes em compras fraudulentas de eletrônicos e bebidas para revenda, além de usar contas de terceiros para lavar os valores. A ofensiva cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão para desarticular os núcleos responsáveis pela invasão e pelas fraudes comerciais.

Uma organização criminosa suspeita de invadir o sistema de uma operadora de cartões, alterar limites e usar dados de clientes para realizar compras fraudulentas é alvo de uma operação da Polícia Civil nesta quarta-feira (26). A Operação Tessera Signata cumpre oito mandados de prisão preventiva e 28 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Até o momento, seis pessoas foram presas.

Foto: Polícia Civil/Divulgação / Porto Alegre 24 horas

A ofensiva é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos e ocorre em Viamão, Gravataí e Balneário Pinhal, no Rio Grande do Sul, além de Conselheiro Lafaiete (MG) e Indaiatuba (SP).

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Segundo a investigação, o grupo tinha funções divididas entre diferentes núcleos. Um casal de Minas Gerais é apontado como responsável por conseguir acesso ao sistema da operadora. Já em Viamão funcionava o núcleo responsável por utilizar os dados obtidos, fazer compras e recrutar pessoas que cediam contas bancárias para movimentação dos valores.

A investigação começou após dois suspeitos serem presos em flagrante em novembro de 2025, em Xangri-lá. Eles tentavam comprar mercadorias utilizando números e senhas de cartões que pertenciam a terceiros. Os dois haviam comprado uma caixa de som no mesmo estabelecimento e retornaram horas depois para adquirir novamente o produto. A repetição levantou suspeitas entre os funcionários, que chamaram a Brigada Militar.

A partir dos celulares apreendidos com a dupla, os investigadores encontraram um grupo em aplicativo de mensagens usado pelos integrantes da organização. No espaço, havia orientações sobre quais cartões utilizar, quais produtos comprar, como separar as mercadorias e até como guardar as notas fiscais.

A Polícia Civil descobriu então que os dois presos faziam parte de uma estrutura maior. Conforme a apuração, o núcleo técnico teria adquirido na deep web e na dark web credenciais de acesso vazadas. Uma delas ainda estaria ativa e teria permitido a entrada remota no sistema da operadora de cartões e benefícios, sediada no Litoral Norte.

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Entre 11 e 12 de novembro de 2025, os criminosos teriam realizado 217 operações no sistema em poucas horas, entre consultas, alterações e manipulações de informações financeiras dos clientes.

Depois da invasão, números de cartões e senhas eram repassados ao núcleo de Viamão. Os integrantes utilizavam os dados para fazer compras em estabelecimentos credenciados, principalmente supermercados de Novo Hamburgo e Xangri-lá.

Entre os itens adquiridos estavam bebidas alcoólicas e equipamentos eletrônicos, especialmente aparelhos de som. As mercadorias eram posteriormente revendidas.

De acordo com a investigação, as notas fiscais ajudavam a controlar os valores movimentados e também davam aparência de legalidade aos produtos quando revendidos, principalmente no caso dos equipamentos eletrônicos.

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A Polícia Civil também identificou um esquema para esconder a origem do dinheiro. Pessoas eram recrutadas para emprestar contas bancárias pessoais ou empresariais em troca de pagamentos. Os recursos obtidos com as fraudes eram distribuídos entre diferentes contas, transferidos e posteriormente sacados para dificultar o rastreamento.

Entre os investigados estão quatro homens apontados como integrantes do núcleo operacional em Viamão. Um deles, de 30 anos, é considerado uma das lideranças e teria participado da obtenção e distribuição dos dados, além de coordenar as ações por aplicativo de mensagens.

Outro investigado, de 32 anos, teria atuado nas compras fraudulentas e no recrutamento de pessoas para ceder contas. Dois homens de 23 anos também são investigados por participação nas compras e na movimentação dos valores.

A investigação ainda aponta a participação de uma mulher de 28 anos, suspeita de ajudar no recrutamento de titulares de contas e na movimentação dos recursos, e de um homem de 29 anos, que teria prestado apoio logístico ao grupo.

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Em Minas Gerais, o casal apontado como responsável pela invasão do sistema não possui antecedentes policiais. Segundo a Polícia Civil, dados de conexão usados nos acessos não autorizados foram relacionados aos dois.

Os materiais recolhidos durante a operação passarão por análise. A Polícia Civil pretende identificar outras possíveis vítimas, integrantes da organização e pessoas que tenham recebido os valores provenientes das fraudes.

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