Polícia Civil desarticula fraude bancária de R$ 2,4 milhões com envolvimento de gerente no RS

Grupo usava dados de idosos e pessoas falecidas para contratar empréstimos; R$ 1,4 milhão foi sacado em dinheiro

20 jan 2026 - 10h07
(atualizado às 10h49)

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), uma operação que desvendou um esquema de fraude bancária milionária no interior do Rio Grande do Sul, envolvendo um gerente-geral de agência, outro funcionário da instituição e familiares. O grupo é suspeito de causar um prejuízo estimado em R$ 2,4 milhões, utilizando dados de idosos e até de pessoas já falecidas para contratar empréstimos fraudulentos.

Foto: Polícia Civil / Divulgação / Porto Alegre 24 horas

A ação, coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), cumpriu três mandados de prisão preventiva em Palmeira das Missões, no noroeste do Estado. Entre os alvos estão o gerente-geral da agência, um operador de sistema e a esposa do gerente, que também teve a prisão decretada. Mandados de busca e apreensão foram executados em Caçapava do Sul, além de ordens judiciais para bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados.

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De acordo com a investigação, o esquema teria funcionado por pelo menos seis meses, durante o segundo semestre do ano passado. O próprio banco procurou a Polícia Civil após identificar movimentações financeiras incompatíveis com o perfil de determinados clientes.

As apurações apontam que o grupo monitorava contas inativas de clientes vulneráveis, principalmente idosos entre 81 e 96 anos, além de pessoas já falecidas. Sete vítimas diretas foram identificadas, além da própria instituição financeira. Para viabilizar os golpes, o operador do sistema utilizava a própria biometria nos leitores, simulando a autenticação dos clientes. Os cadastros eram alterados para indicar que as vítimas seriam analfabetas, o que dispensava a exigência de assinatura física.

Segundo a Polícia Civil, o gerente-geral ainda modificava dados como renda e capacidade financeira das vítimas, atribuindo valores elevados para ampliar o limite de crédito. Com isso, eram contratados empréstimos pessoais em nome dos clientes, sem o conhecimento deles.

Saques e disfarces

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Após a liberação dos valores, o dinheiro era sacado em espécie. Conforme a investigação, a esposa do gerente teria papel central nessa etapa, realizando retiradas frequentes e, em alguns casos, utilizando disfarces, como moletom com capuz, para dificultar a identificação. Ao todo, foram mapeados R$ 1,4 milhão em saques em dinheiro vivo.

O delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, explicou que o gerente atuava como mentor intelectual do esquema, enquanto o funcionário executava as fraudes biométricas e os familiares cuidavam da logística de saques e da ocultação dos valores.

A operação recebeu o nome de Digital Fantasma, em referência ao uso indevido da biometria para se passar por clientes que sequer tinham conhecimento das movimentações em suas contas.

Segundo a Polícia Civil, os clientes lesados não terão prejuízos, já que o banco considera nulos os contratos fraudulentos. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar se há mais vítimas do esquema.

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Com informações: GZH

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