Uma ofensiva do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) atingiu, nesta segunda-feira, a estrutura financeira de uma organização criminosa em Pelotas. A Operação Hibernação focou na dissimulação de valores provenientes do tráfico de drogas através da aquisição de bens imobiliários. Três mandados de busca foram executados, mobilizando agentes em pontos estratégicos da cidade para coletar provas sobre o fluxo de caixa ilícito.
O ponto central da investigação é a compra de um apartamento de aproximadamente R$ 500 mil. O imóvel teria sido utilizado para lavar dinheiro de origem criminosa, figurando em nome de uma servidora estadual para mascarar o verdadeiro proprietário: um líder criminoso já condenado. A construtora responsável pela obra também foi alvo de buscas para que se verifique a regularidade das transações financeiras realizadas durante a venda.
De acordo com o MPRS, o mentor do esquema possui uma trajetória criminal extensa, com condenações por crimes graves que ultrapassam duas décadas de reclusão. A investigação revelou que, mesmo de dentro do sistema prisional, o apenado coordenava o núcleo financeiro para converter o lucro do tráfico em ativos imobiliários. Pelo menos três pessoas são formalmente investigadas nesta etapa da operação.
O histórico da Operação Caixa-Forte mostra uma evolução no combate ao crime no Sul gaúcho. Iniciada em dezembro de 2023 com foco em apreensões no sistema prisional, a investigação progrediu para a análise de documentos que expuseram a complexa rede de lavagem de capitais. O MPRS reitera que o monitoramento do patrimônio de líderes de facções permanece como prioridade para asfixiar financeiramente o crime organizado.
MPRS.