Mulher de tenente-coronel é encontrada morta em casa em SP

Segundo a PM, a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada caída no chão pelo marido; caso é investigado como suicídio e morte suspeita

20 fev 2026 - 18h23
(atualizado às 18h46)

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta na manhã de quarta-feira, 18, dentro do apartamento em que morava no bairro do Brás, no centro de São Paulo. O caso foi registrado como suicídio no 8º DP (Brás), mas, posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito. A Polícia Civil investiga o caso.

Publicidade

Gisele era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, e tinha uma filha de 7 anos de outro relacionamento. Em depoimento, a mãe de Gisele afirmou que o relacionamento era conturbado e que Geraldo seria abusivo e violento, proibindo a mulher de usar batom, salto alto e perfume e cobrando a realização das tarefas domésticas de forma rigorosa. O Estadão não conseguiu localizar a defesa de Geraldo. O espaço segue aberto.

Ainda segundo a mãe de Gisele, quando a soldado mencionou a intenção de se separar do marido, ele teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.

Gisele Alves Santana, soldado da PM, foi encontrada morta no apartamento em que morava
Gisele Alves Santana, soldado da PM, foi encontrada morta no apartamento em que morava
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

No boletim de ocorrência, o tenente-coronel afirma que os dois se conheceram em 2021 e se casaram em 2024. Os problemas no relacionamento teriam começado em 2025 e são atribuídos por Geraldo a uma mudança de batalhão.

Ele afirmou ter sido alvo de denúncias anônimas na Corregedoria da PM, motivadas por vingança de colegas do novo local de trabalho, com fofocas falsas de um relacionamento extraconjugal. Quando o boato chegou até Gisele, ela teria tido uma crise de ciúmes e os dois passaram a brigar com frequência e a dormir em quartos separados.

Publicidade

Geraldo relatou que, na quarta-feira, por volta das 7h, foi ao quarto da esposa propor a separação. Segundo o depoimento, Gisele teria se levantado exaltada, mandado que ele saísse e batido a porta. Em seguida, ele afirma que foi tomar banho e ouviu um barulho que pensou ser uma porta batendo. Ao sair do banheiro, ele teria encontrado Gisele caída no chão.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no siteou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

Publicidade

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

NOTA DA REDAÇÃO: Suicídios são um problema de saúde pública. Antes, o Estadão, assim como boa parte da mídia profissional, evitava publicar reportagens sobre o tema pelo receio de que isso servisse de incentivo. Mas, diante da alta de mortes e tentativas de suicídio nos últimos anos, inclusive de crianças e adolescentes, o Estadão passa a discutir mais o assunto. Segundo especialistas, é preciso colocar a pauta em debate, mas de modo cuidadoso, para auxiliar na prevenção. O trabalho jornalístico sobre suicídios pode oferecer esperança a pessoas em risco, assim como para suas famílias, além de reduzir estigmas e inspirar diálogos abertos e positivos. O Estadão segue as recomendações de manuais e especialistas ao relatar os casos e as explicações para o fenômeno.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se