Major aposentado da PM é preso suspeito de agredir e tentar estrangular a companheira

Vítima se trancou no quarto com filha menor de idade após agressões; suspeito apresentava sinais de embriaguez e foi encaminhado para presídio militar

29 mar 2026 - 13h23

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher e violência doméstica. Se você é vítima ou conhece alguém que esteja passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Publicidade

Um major aposentado da Polícia Militar (PM) foi preso na noite de sábado, 28, suspeito de agredir e tentar estrangular a companheira dentro da residência onde o casal vivia em Santo André, região metropolitana de São Paulo.

Segundo informações da assessoria de comunicação da PM, policiais foram acionados por volta das 20h40 para atender uma ocorrência de violência doméstica no bairro Vila Scarpelli.

Ao chegarem ao local, os PMs encontraram a mulher, de 42 anos, trancada em um quarto com sua filha adolescente. Aos policiais, ela "relatou ter sido agredida pelo companheiro, com mordida no rosto e tentativa de estrangulamento".

Cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025, segundo estimativas do Instituto de Pesquisa DataSenado
Cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025, segundo estimativas do Instituto de Pesquisa DataSenado
Foto: Agência Brasil / Estadão

O major aposentado, de 54 anos, apresentava sinais de embriaguez, foi detido no local, levado ao 2º DP de Santo André e encaminhado posteriormente ao Presídio Militar Romão Gomes. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, ele "apresentava comportamento alterado e chegou a desacatar uma das policiais."

Publicidade

A ocorrência foi registrada como violência doméstica, lesão corporal, injúria, ameaça e desacato. Segundo a PM, não foram encontradas armas ou objetos ilícitos na residência.

A vítima foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames periciais. O nome do major não foi divulgado.

Além do inquérito aberto pela Polícia Civil, também foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM).

Outro caso

O caso ocorre poucos dias após a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, suspeito de matar, com um tiro na cabeça, a esposa e também policial militar Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. Ele nega o crime.

A morte aconteceu no dia 18 de fevereiro, mas o tenente-coronel foi preso somente um mês depois, no dia 18 de março. Ele alegou que a mulher se matou, mas investigações complementares apontaram o oficial como autor do disparo.

Publicidade

Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, que mostraram brigas constantes e ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele também humilhava a esposa, exigindo submissão pelo fato de ele ser o principal provedor da casa.

Publicidade

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Neto quem impunha uma resistência a esse término. Neto também está preso no Presídio Militar Romão Gomes, onde aguarda julgamento.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações