Justiça sugere acordo para encerrar greve da CPTM após Tarcísio propor manutenção de funcionários

Governador afirmou que proposta será enviada à Assembleia e está condicionada à retomada da operação antes do horário de pico da tarde desta quarta, 5

5 ago 2026 - 12h28
(atualizado às 16h11)

A Justiça do Trabalho sugeriu um acordo entre o Estado e o sindicato dos ferroviários nesta quarta-feira, 5, para encerrar a greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A proposta se baseia em um projeto de lei apresentado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que garante a manutenção dos empregos dos ferroviários das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que foram concedidas à iniciativa privada.

Publicidade

A categoria paralisa a operação nos trens pelo 2º dia e vai votar se retoma os trabalhos ainda na tarde desta quarta.

Em relação à proposta de Tarcísio, a Justiça do Trabalho pediu que o projeto contemple também a manutenção dos trabalhadores da Linha 10-Turquesa (ainda sob operação da estatal). A sugestão de ampliar a proteção para este outro ramal visa eventual concessão futura e a tentativa de evitar outras greves.

O governador prometeu enviar a proposta à Assembleia ainda nesta quarta, condicionada ao encerramento da paralisação e à retomada da operação ainda nesta quarta, antes do horário de pico. Na terça, a capital registrou mais de mil quilômetros de congestionamento às 18h30.

"Esse projeto (de lei) é de competência do Executivo, onde a gente garante a absorção, a inserção, um empréstimo, um aproveitamento de todos os trabalhadores", disse Tarcísio no fim da manhã. "A gente não quer mais ver o cidadão de São Paulo refém ou sofrendo na mão da decisão do sindicato", acrescentou.

Publicidade

Os funcionários reivindicavam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

Tarcísio também subiu o tom e disse que irá recorrer a todos os caminhos para que o serviço seja retomado conforme determinação judicial.

"A gente vai ao limite, se o TRT não resolver, nós vamos ao TST, se o TST não resolver, nós vamos ao Supremo, nós vamos ao limite, nós vamos à Justiça comum para pedir a reparação por danos, nós vamos ao limite para fazer valer a lei."

Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), continuam em greve nesta manhã de quarta-feira, (5), por tempo indeterminado.
Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), continuam em greve nesta manhã de quarta-feira, (5), por tempo indeterminado.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

De acordo com os grevistas, 2.300 pessoas correm o risco de perder o emprego caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

Em entrevista pela manhã, o presidente da CPTM, Manuel Cerqueira, defendeu que não era necessário formalizar a garantia dos cargos uma vez que não existia plano de demissão.

Publicidade

"Nós estamos aqui dizendo que eu preciso escrever que os empregos estão garantidos, mas aonde foi dito que as pessoas serão demitidas? (...) O que estava acontecendo era um realocamento desses colaboradores, a gente precisa de tempo, isso não acontece da noite para o dia, a gente precisa de tempo, a gente precisa de negociação, os colaboradores precisam aceitar serem realocados. Não é puxando faca, não é fazendo pressão, não é usando a população como massa de manobra, que vai fazer com que o governo do Estado tome uma decisão diferente da que já foi tomada."

Greve entra no segundo dia consecutivo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Projeto de Lei

Os funcionários têm defendido o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

Desde o último dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

Publicidade

Situação das linhas, segundo a CPTM:

  • Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
  • Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianases. O trajeto ocorre apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases)
  • Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart. O trajeto é feito somente entre Brás e Engenheiro Goulart)
  • Linha 13-Jade: linha está circulando com maiores intervalos entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto Guarulhos; há atendimento do sistema PAESE de reforço de ônibus em frente às estações

Plano de contingência

Para minimizar os impactos, o Estado mantém um plano de contingência, com 195 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), integração entre modais e monitoramento da operação ao longo do dia. Na terça-feira, foram 128 ônibus.

A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando o atendimento nos trechos de maior demanda. A Linha 11-Coral, que tem operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, conta com 95 ônibus entre Guaianases e Estudantes. Na Linha 12-Safira, onde os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart, há 90 ônibus entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart.

Já a linha 13-Jade conta com 10 ônibus para fazer o trajeto entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart. O Expresso Aeroporto não está operando. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa operam normalmente.

A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e opera com frota máxima nos horários de pico. A concessionária mantém monitoramento permanente da demanda e poderá ampliar a oferta de trens ao longo do dia, caso necessário.

Publicidade

No Metrô, a linha 3-Vermelha mantém operação especial para minimizar os impactos da greve dos ferroviários. Já as demais linhas estão com operação normal. A linha, que atende parte da zona leste da capital e faz integração com as linhas afetadas, conta com composições adicionais em circulação.

Funcionamento do Metrô de São Paulo

  • Linha 1-Azul: operação normal
  • Linha 2-Verde: operação normal
  • Linha 3-Vermelha: operação especial
  • Linha 4-Amarela: operação normal
  • Linha 5-Lilás: operação normal
  • Linha 15-Prata: operação normal
  • Linha 17-Ouro: operação normal
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se