A Justiça de São Paulo atendeu a um pedido da Polícia Civil e expediu um mandado de prisão contra o suspeito do assassinato do advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida, na madrugada do dia 10 de julho, na zona oeste de São Paulo.
O caso é investigado por meio de inquérito policial no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A polícia procura o suspeito, que não teve o nome divulgado. Desta forma, a defesa não foi localizada.
O golpe do "Boa noite, Cinderela" é a principal linha de investigação da Polícia Civil para explicar a morte do advogado. A hipótese já havia sido levantada pelo advogado contratado pela família de Pedro, Marcelo Martins Ferreira, em conversa com a reportagem do Estadão no dia 15 de julho. "A principal hipótese é o 'Boa noite, Cinderela', e quem fez isso provavelmente exagerou na dose a ponto de acontecer essa fatalidade", disse o defensor.
Ainda de acordo com Ferreira, a polícia também investiga duas transações financeiras que teriam sido feitas nas contas bancárias da vítima após o crime: uma no valor de R$ 20, no centro de São Paulo, para a compra de cigarros e cerveja, e outra de R$ 9.800, que acabou não sendo concluída em razão de um bloqueio realizado pelo aplicativo. Ambas as movimentações teriam acontecido na madrugada do dia 12 de julho.
O crime havia sido registrado como morte suspeita no 14º Distrito Policial (Pinheiros), mas foi encaminhado para a DHPP.
Saiu para assistir ao jogo da Copa do Mundo
Natural do Rio de Janeiro, Pedro estava em São Paulo e saiu com um amigo para assistir ao jogo da Copa do Mundo em um bar da Vila Madalena.
Conforme o registro dos boletins de ocorrência, aos quais a reportagem teve acesso, o advogado e o amigo pegaram um carro de aplicativo no início da madrugada do dia 10 de julho, por volta de 0h30, e foram da Rua Aspicuelta, na Vila Madalena, até a Rua Canário, em Moema, na zona sul, onde o colega de Pedro desembarcaria.
Ainda de acordo com os registros, a corrida foi encerrada à 0h48, e o combinado era que Pedro seguiria para o seu hotel, na Vila Olímpia, em outro carro de aplicativo. Esse amigo, contudo, não sabe informar se o advogado realmente desembarcou para solicitar outro veículo ou se permaneceu no mesmo carro.
Segundo o advogado da família de Pedro, a motorista do veículo de aplicativo o teria levado de volta ao local de onde ele partiu com o amigo, na Rua Aspicuelta.
Testemunhas teriam visto a vítima passando mal e se deitando no chão na altura do número 1.108 da Rua Fradique Coutinho, que, apesar de estar localizada em Pinheiros, fica a poucos metros da Rua Aspicuelta.
Ele chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou que Pedro estava com as pupilas dilatadas, havia vomitado e não apresentava sinais de violência pelo corpo. Ele não resistiu e morreu no local.
De acordo com Ferreira, o golpe do "Boa noite, Cinderela" — que consiste em dopar a vítima por meio da adulteração de bebida — pode ter acontecido depois do retorno de Pedro para a região da Vila Madalena.
"Tem um delay de duas horas, que foi o momento em que ele foi para Moema e voltou para a Vila Madalena. E, quando voltou, foi encontrado pela população", disse o defensor.
Pedro foi localizado sem seus documentos e, por isso, não foi possível fazer sua identificação de forma imediata. A família notou a falta de contato — a última atividade no celular foi a visualização do WhatsApp às 5h da madrugada do dia 10 de julho — e registrou o desaparecimento do advogado.
Pedro Ely foi identificado no dia 14 de julho, após a realização de um exame papiloscópico (de impressões digitais).