Inhotim estuda recuperação da vegetação destruída pela lama

Dados preliminares do Ibama mostram que ao menos 269,8 hectares de vegetação foram destruídos pelos rejeitos de mineração

9 fev 2019 - 20h03
(atualizado às 20h19)

O Instituto Inhotim estuda maneiras de ajudar na recuperação da vegetação destruída em Brumadinho com a passagem da lama de rejeitos após o rompimento da barragem da Vale no último dia 25.

Além de um museu de arte contemporânea a céu aberto, o local abriga um Jardim Botânico é ladeado por uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 250 hectares, de propriedade dos mesmos donos. O Jardim Botânico tem banco de semente e coleções de plantas. Já a reserva tem uma vegetação muito similar à da área que foi devastada.

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Inhotim teve que ser evacuado após o romppimento da barragem de Brumadinho
Inhotim teve que ser evacuado após o romppimento da barragem de Brumadinho
Foto: J.F. Diorio / Estadão

Segundo dados preliminares do Ibama, obtidos por meio de imagens de satélite, pelo menos 269,84 hectares de vegetação foram destruídos pelos rejeitos de mineração - 133,27 hectares de vegetação nativa de Mata Atlântica e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d'água afetados.

Lucas Sigefredo, diretor do Jardim Botânico, explica que o local conduziu ao longo dos últimos sete anos um projeto em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e verba do Fundo Clima justamente para a recuperação de áreas degradadas pela mineração. Foi feito um estudo florístico e fitossociológico (sobre distribuição de comunidades vegetais) da RPPN, foi construído um laboratório de reprodução vegetal e um banco de germoplasma. Esse material poderia ajudar num processo de restauração florestal.

"Nós também estamos ainda fazendo experimentos de recuperação de três áreas, que somam 5 mil m2, testando diferentes metodologias. Isso nos ajuda a entender como se dá esse processo no pós-trauma de um uso mineral, mas não de uma tragédia. Ainda vamos ter de estudar como isso poderia ser feito", explica Sigefredo.

"A natureza é resiliente, desde que a deixemos quieta, e algumas técnicas já conhecidas podem acelerar algum processo. Mas o ambiente do desastre ainda está caótico, incerto. Estamos nos colocando à disposição para articular esses conteúdos todos e buscar um modo de ressignificar o território. Não sei se já dá para falar em recuperar, mas vamos pensar em formas de mitigar esse território", diz.

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Sigefredo mora na zona rural de Brumadinho e viu a estrada que pegava todo dia, há 15 anos, para chegar ao instituto, ser destruída pela lama de rejeitos. "Perdi amigos, colegas, ex-funcionários. Perdi uma paisagem. Meu compromisso é integral em ajudar a região, a projetar uma nova Brumadinho, talvez com uma nova matriz econômica."

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