Severino José da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina em que a aluna de natação Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu no último sábado, 7, disse à polícia que o proprietário do local ligou para ele no domingo, 8, e pediu para ele sair de casa por causa da polícia.
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“Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”, teria dito o dono, segundo Severiano, que prestou depoimento na manhã de terça-feira, 10, no 42° Distrito Policial do Parque São Lucas, que investiga o caso. As informações são da TV Globo.
O funcionário afirmou à polícia que, assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal no sábado tentou entrar em contato com o dono do estabelecimento, mas não obteve resposta. Segundo ele, o retorno só ocorreu às 14h11, quando a academia já havia sido esvaziada. Ao relatar o ocorrido, o proprietário teria respondido apenas: “Paciência”.
A principal suspeita das autoridades é que a manipulação de produtos químicos próximo à área de aula pode ter afetado as pessoas, já que o espaço é fechado e tem pouca ventilação.
Quantas pessoas passaram mal?
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), até o momento, foram notificadas cinco vítimas, sendo uma fatal. A investigação ganhou um novo desdobramento após um adolescente de 14 anos apresentar sintomas semelhantes depois de usar a mesma piscina. O jovem também está hospitalizado. Não foi informado o estado de saúde das outras três pessoas.
Perícia foi feita na academia?
Após serem notificadas, a perícia e a Vigilância Sanitária examinaram a academia. A Subprefeitura Vila Prudente interditou, preventivamente, a Academia C4 devido às irregularidades encontradas. Entre elas, a existência de dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço, não possuir o Auto de Licença de Funcionamento e constatada situação precária de segurança.
Agentes da polícia também realizaram diligências no local e apreenderam objetos para a apuração.
Quais são as suspeitas da polícia?
Conforme a polícia, a principal suspeita é de que Juliana tenha se intoxicado por inalar uma mistura dos produtos químicos usados para a limpeza da piscina. A investigação também apura se havia produto dentro da piscina.
"Pelo apurado inicialmente pela perícia, houve uma reação química lá provavelmente com os produtos utilizados pela limpeza da piscina que intoxicou todo o ar e gerou envenenamento dessas pessoas", afirmou o delegado Alexandre Bento, do 42º DP, à TV Globo.
O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde no 6º DP (Santo André). Será investigado, contudo, pelo 42º DP (Parque São Lucas). As investigações continuam para o esclarecimento dos fatos.
O que diz a academia?
A direção da Academia C4 GYM disse lamentar profundamente o ocorrido e informou ter prestado atendimento imediato a todos os envolvidos. Veja a nota na íntegra:
"É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento de uma de nossas alunas. Estamos totalmente solidários à família e aos amigos, tendo nos colocado à disposição para todo o apoio necessário neste momento difícil. Seguimos acompanhando de perto o estado de saúde dos demais alunos afetados e também prestando todo o apoio possível.
Gostaríamos de esclarecer que, assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompemos imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes.
Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades.
Em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira. Assim que tivermos novas informações confirmadas pelos órgãos responsáveis, voltaremos a nos manifestar por meio de nossos canais oficiais."