A defesa de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, pediu pela revogação da prisão preventiva do rapper por “quadro de saúde gravíssimo” relacionado a tuberculose. Apesar de terem apresentados laudos médicos, a Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido. A movimentação se deu em meio ao processo em que o cantor é réu por homicídio qualificado. Oruam segue foragido desde 3 de fevereiro.
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Conforme consta na decisão da Justiça do Rio obtida pelo Terra, a defesa de Oruam indicou que ele está com “tuberculose pulmonar, com severa perda de massa magra e sarcopenia”, citando que ele teria perdido 5 kg no último mês. Também apontaram “tosse crônica e lesões nos tecidos pulmonares”, risco de disseminação da doença e a recomendação de “isolamento social para tratamento efetivo”.
Em manifestação, o Ministério Público foi contrário à revogação da prisão preventiva. Eles argumentaram que as provas que levaram à decretação da prisão seguem inalteradas e ressaltaram o descumprimento de medidas cautelares impostas por parte de Oruam – como o fato de ele ainda estar foragido. Sobre as questões de saúde, o MP solicitou que uma eventual avaliação seja realizada por um instituto oficial do Estado.
A juíza Tula Correa de Mello, da Justiça do Rio, seguiu a mesma linha do MP e negou o pedido de liberdade. A decisão em questão foi emitida no último dia 18.
“Cumpre observar que os relatórios médicos trazidos aos autos não possuem, neste momento, carga probatória suficiente para ensejar a revogação da prisão preventiva, considerando que não foram elaborados por instituição oficial do Estado. A gravidade do quadro clínico alegado (tuberculose pulmonar) demanda avaliação por junta médica oficial ou estabelecimento prisional adequado, não sendo o simples aporte de laudos particulares suficiente para afastar a necessidade da custódia cautelar, especialmente diante do status de foragido do réu”, alegou.
Além disso, a juíza reforçou o fato de que a defesa de Oruam não o apresentou no sistema médico prisional, nem juntou provas que alegassem que o sistema hospitalar disponibilizado aos custodiados seria incompatível com os cuidados necessários para o suposto quadro apresentado.
“Em caso de apresentação voluntária para fins de cumprimento do mandado de prisão do ora foragido, ou eventual cumprimento do mandado de prisão, determino o imediato encaminhamento do acusado MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO ao sistema médico hospitalar prisional, que deverá atestar por laudo a ser juntado aos autos, as condições de tratamento do acusado e estrutura mediante avaliação clínica no momento da custódia”, concluiu a decisão.
O Terra tenta contato com a defesa de Oruam e aguarda retorno. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de resposta.
Relembre o caso
Oruam foi indiciado por diversos crimes, incluindo homicídio, tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, ameaça e lesão corporal. De acordo com o Ministério Público, Oruam e outros homens teriam reagido à abordagem com ameaças, ofensas e lançamento de pedras contra os agentes, atingindo um dos policiais.
Ele chegou a ficar preso por cerca de 60 dias no ano passado em meio às investigações. Quando foi solto em setembro passado, passou a ter que cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. A questão é que, conforme apontam os autos, ele teria descumprido as restrições diversas vezes.
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) do Rio de Janeiro, de novembro de 2025 a fevereiro deste ano, a tornozeleira eletrônica de Oruam passou a apresentar sucessivas violações, totalizando 66 ocorrências -- sendo 21 delas graves somente durante o começo de 2026. A maioria das violações está relacionada à falta de carregamento da bateria.
Em dezembro passado, ele compareceu à Central de Monitoração Eletrônica para realizar a troca da tornozeleira eletrônica. Depois do comparecimento e da substituição do dispositivo, o aparelho retirado do rapper foi encaminhado à perícia técnica, que constatou um dano eletrônico possivelmente decorrente de alto impacto.
As violações foram comunicadas ao Poder Judiciário por meio de relatórios mensais encaminhados à 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Após a troca da tornozeleira, o novo equipamento de Oruam voltou a apresentar falhas por ausência de carregamento.
Em meio a isso, em fevereiro, foi determinada a prisão preventiva do rapper – que não se apresentou, e passou a ser considerado foragido.