O maestro Marco Aurélio Xavier, fundador do coral Meninas Cantoras de Petrópolis, reagiu com sarcasmo às acusações de assédio moral e sexual feitas por ex-integrantes do grupo. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (25) e apagado horas depois, ele afirmou ser “imensamente pior” do que os relatos divulgados pela revista piauí.
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“Se tivessem me entrevistado, eu sou imensamente pior do que escreveram”, disse o músico de 74 anos, antes de fazer referência a “grandes mestres nazistas”, declaração que gerou repercussão nas redes sociais.
As acusações vieram à tona em reportagem da piauí, que reuniu relatos de 17 ex-coralistas, hoje com idades entre 24 e 60 anos. Elas descrevem episódios de humilhação, assédio moral e abuso sexual ocorridos quando participavam do coral ainda na infância e adolescência.
Xavier fundou o Meninas Cantoras de Petrópolis em 1976, quando tinha 24 anos, dentro de um colégio católico fluminense. O coral, composto por meninas entre 9 e 15 anos, se tornou um dos grupos infantojuvenis mais conhecidos do país, com apresentações ao lado de artistas como Roberto Carlos, Gilberto Gil, Sandy & Junior e Simone.
O coral encerrou as atividades em 2016 por falta de patrocínio, recebendo o título de patrimônio cultural imaterial do estado do Rio de Janeiro no ano seguinte.
Antes do vídeo, Xavier já havia se manifestado nas redes sociais, afirmando desconhecer as acusações e classificando as críticas como atitudes de pessoas que “cuspiram no prato que comeram”.
A piauí procurou Xavier para entrevista, que chegou a dizer que falaria, mas ao saber que a reportagem abordaria as acusações feitas por ex-integrantes do coral não respondeu mais aos contatos.
Xuxa Meneghel, ligada ao grupo nos anos 1990, classificou o maestro como “monstro” e criticou qualquer tentativa de relativizar os relatos. Já a cantora Simone, que gravou com o coral o álbum natalino "25 de dezembro", afirmou estar “indignada” e defendeu que não pode ficar impune.