Uma criança de dez anos ficou ferida após ser atingida por estilhaços do vidro de um ônibus atacado por uma bolinha de gude na avenida Jorge João Saad, no Morumbi, zona sul de São Paulo, na tarde desta terça-feira, 15.
"Foi desesperador porque ninguém sabia da onde tinha vindo, se era tiro ou se era qualquer outra coisa. Na hora eu só pensei nele, fiquei desesperada porque o rosto dele começou a sangrar. Todo mundo começou a gritar achando que era tiro", disse a mãe do menino, Patrícia Santos, em entrevista ao Brasil Urgente, da Band.
"Ele não parava de chorar, de gritar, falando que estava doendo. Eu só fui me acalmar mesmo quando deram a possibilidade de ter sido uma bolinha de gude que deve ter atingido a janela e eu vi que ele estava bem."
A Prefeitura informou que a criança foi levada por um funcionário da Alfa Rodobus a um hospital particular e que não tinha detalhes sobre o estado de saúde da vítima. O Estadão tenta contato com a empresa que prestou o atendimento.
Somente nesta terça-feira, a Prefeitura e SPTrans contabilizaram 26 ataques a ônibus na capital. Desde 12 de junho, foram 458 veículos depredados. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), já são mais de 940 apedrejamentos desde o início do ano.
"A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans reiteram o repúdio aos atos de vandalismo registrados no sistema de transporte e seguem fornecendo todas as informações necessárias para auxiliar nas investigações", disse a Prefeitura, em nota.
Até o momento, oito suspeitos foram detidos, segundo a Secretaria da Segurança Pública. O órgão afirma ainda que as investigações seguem sob responsabilidade do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), que realiza diligências e analisa dados para identificar e prender outros envolvidos.
O governo estadual não tem uma investigação concluída sobre os motivos dos ataques. Neste momento, a principal linha de investigação é o envolvimento de funcionários ou empresas que atuam na área de transporte coletivo público.
Mas outras linhas de investigação, como o envolvimento do Primeiro Comando da Capital, o PCC, não está descartada.