Os atropelamentos voltaram a crescer na cidade de São Paulo e atingiram, em 2026, o maior patamar de mortes para o período entre janeiro e maio desde 2017. Dados do Infosiga mostram que 168 pessoas morreram atropeladas na capital paulista nos cinco primeiros meses deste ano. Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou que "tem implementado diversas ações para garantir a segurança de todos os usuários do viário urbano". Veja nota na íntegra ao fim do texto.
O número representa alta de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 151 mortes, e é o terceiro maior da série histórica iniciada em 2015. O total fica atrás das 215 mortes registradas entre janeiro e maio de 2015 e das 169 registradas no período em 2017. Desde então, a cidade vinha registrando números inferiores.
Os dados mostram uma tendência de crescimento após anos de redução. Depois de atingir o menor patamar da série durante a pandemia, com 105 mortes em 2021, os atropelamentos voltaram a avançar gradualmente: foram 108 casos em 2022, 121 em 2023, 155 em 2024, 151 em 2025 e 168 neste ano.
Somente em maio deste ano, 35 pessoas morreram atropeladas na cidade. Em março, foram registradas 44 mortes, o maior número mensal de 2026 até o momento.
Casos recentes expõem violência no trânsito
O aumento das mortes ocorre em meio a ocorrências que chamaram atenção nos últimos meses.
Em maio, uma mulher e uma criança foram atropeladas por uma viatura da Polícia Militar no Jardim Robru, na zona leste de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os policiais seguiam para uma ocorrência quando atingiram as vítimas durante a travessia da via. As duas foram socorridas e encaminhadas a uma unidade de saúde da região.
Em abril, dois jovens de 18 anos morreram atropelados na Rodovia dos Imigrantes. Eles haviam descido de uma motocicleta para recolher mercadorias que caíram na pista, após, segundo a Polícia Militar, terem sido fechados por um caminhão. Um motorista que trafegava pela rodovia tentou desviar de um dos jovens, mas acabou atingindo os dois. As vítimas morreram no local.
Além do aumento dos atropelamentos, casos envolvendo veículos de luxo têm chamado atenção pela repercussão e pela gravidade dos acidentes. Em junho, o influenciador fitness Fábio Giga se envolveu em um acidente com um Porsche 911 avaliado em cerca de R$ 1 milhão, no bairro do Ipiranga, zona sul da capital.
Segundo o boletim de ocorrência, o motorista teria perdido o controle da direção após passar por uma irregularidade na pista. O veículo derrapou, atingiu duas motocicletas, colidiu com dois automóveis e bateu contra uma mureta.
Dois motociclistas, de 51 e 43 anos, ficaram feridos e foram encaminhados ao hospital. O caso foi registrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e colisão, e segue sob investigação.
Mortes por atropelamento entre janeiro e maio na cidade de São Paulo
- 2015: 215
- 2016: 151
- 2017: 169
- 2018: 137
- 2019: 145
- 2020: 107
- 2021: 105
- 2022: 108
- 2023: 121
- 2024: 155
- 2025: 151
- 2026: 168
Embora o Infosiga registre outros tipos de ocorrência envolvendo pedestres, como choques, a comparação histórica foi feita exclusivamente com os casos de atropelamento.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), tem implementado diversas ações para garantir a segurança de todos os usuários do viário urbano.
Para pedestres, destacam-se as seguintes medidas: criação das Áreas Calmas, com velocidade máxima permitida de 30 km/h; Rotas Escolares Seguras; redução do limite de velocidade de 50 km/h para 40 km/h em 24 vias; aumento do tempo de travessia; implantação de mais de 10 mil novas faixas de pedestres, colocação de travessias elevadas em locais estratégicos e implantação de minirrotatórias. Para vias da cidade com maior índice de acidentes, há ainda o Programa Operacional de Segurança.
Além dos Programas de Segurança Viária, também compõem o Plano de Metas Municipal, a implantação rotineira de faixas de pedestres, de travessias elevadas, minirrotatórias, a implantação de tempo integral nas passagens de pedestres semaforizadas em vias com canteiro central, evitando assim longos tempos de espera e as Frentes Seguras (boxes de motos na espera do semáforo veicular).
Essa sinalização para motociclistas auxilia a segurança dos pedestres nas faixas, pois, os veículos ficam retidos mais distantes dos pedestres, melhorando a intervisibilidade de todos os usuários das vias".