CEO da Enel diz que 'só Jesus Cristo' evitaria apagões em São Paulo com rede atual

Em evento com investidores na Itália, Flavio Cattaneo afirmou que, com fiação aérea em meio às árvores, não há solução humana

23 fev 2026 - 18h38
Foto de dezembro de 2025 mostra um funcionário da Enel fazendo reparo na fiação elétrica da Avenida Jandira, após região ficar sem luz
Foto de dezembro de 2025 mostra um funcionário da Enel fazendo reparo na fiação elétrica da Avenida Jandira, após região ficar sem luz
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

O CEO do grupo italiano Enel, Flavio Cattaneo, afirmou que, nas condições atuais da rede elétrica de São Paulo, "só Jesus Cristo" seria capaz de evitar apagões em situações de tempestade. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 23, durante encontro com investidores e analistas em Milão.

Ao comentar as recorrentes interrupções no fornecimento de energia na capital paulista, o executivo criticou o modelo de distribuição aéreo, com cabos entrelaçados às árvores.

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"Se permanece esse jeito, nas árvores, só tem um capaz de gerenciar, mas não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão", disse Cattaneo.

Segundo ele, a rede elétrica não está apenas próxima das árvores, mas instalada "dentro" delas, o que tornaria inevitáveis os impactos de ventos fortes e quedas de galhos sobre a fiação. Para o CEO, o problema é estrutural e ultrapassa a atuação direta da concessionária.

A Enel Brasil, responsável pela distribuição de energia na cidade, tem sido alvo de críticas após casos recentes de apagões em meio a chuvas intensas. Durante o evento, Cattaneo afirmou que a companhia tem uma proposta definitiva a apresentar às autoridades locais para enfrentar o problema, mas não ofereceu detalhes.

Ele também ressaltou que mudanças estruturais exigem tempo e investimentos. "É importante entender que quando você aprova um capex [investimentos destinados a comprar, melhorar ou manter ativos físicos de longo prazo], precisa de tempo para a implementação e nem sempre esse tempo corresponde às expectativas da população, e levando em consideração as eleições, ninguém quer estar envolvido com a discussão relativa ao apagão", afirmou.

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*Com informações do Estadão

Fonte: Portal Terra
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