Um casal foi preso preventivamente em Cachoeirinha (RS) suspeito de sequestrar e torturar uma mulher por oito horas, em agosto, devido a uma dívida de agiotagem de R$ 2 mil. A vítima sofreu agressões contínuas e foi solta após a família pagar o resgate. Na ação, a Polícia Civil apreendeu celulares, máquina de contar cédulas e itens usados para tortura, além de identificar ameaças violentas da suspeita contra outros devedores. As investigações continuam para localizar mais envolvidos no esquema.
Um homem de 24 anos e uma mulher de 30 foram presos preventivamente nesta segunda-feira (28), em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, suspeitos dos crimes de extorsão mediante sequestro e tortura. A ofensiva integra a Operação Debitum, deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos (1ª DR) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que apura um esquema de agiotagem com cobranças armadas e violentas.
O crime investigado ocorreu no dia 11 de agosto, na Capital. Conforme o delegado Gabriel Casanova, a vítima foi abordada por volta das 21h ao sair de sua residência e rendida pelo casal armado. Levada a um cativeiro ainda não identificado, a mulher permaneceu em poder dos criminosos por cerca de oito horas, sofrendo socos, tapas e agressões contínuas decorrentes de um empréstimo em aberto de R$ 2 mil. Com fratura em um dos dedos e múltiplas lesões pelo corpo, ela foi libertada na Zona Norte de Porto Alegre por volta das 4h da madrugada seguinte, somente após repasses financeiros transferidos por familiares sob coação.
Durante o cumprimento de mandados judiciais em Cachoeirinha e Viamão, os agentes localizaram os suspeitos em um imóvel residencial. No local, foram apreendidos aparelhos celulares, máquina de contar cédulas, soco-inglês e um barbeador elétrico — itens que teriam sido usados tanto para lesionar fisicamente quanto para raspar os cabelos e humilhar devedores.
A apuração revelou gravações e mensagens de áudio em que a mulher detida afirma não temer as autoridades e ameaça atear fogo em residências com os moradores dentro, além de instruir comparsas a invadirem pátios e agredirem devedoras idosas sem hesitação. A investigada já possuía registros policiais anteriores por ameaça. A Polícia Civil mantém as diligências para identificar os financiadores dos empréstimos e os demais executores das extorsões.