O chanceler italiano Antonio Tajani comparou a cidadania de Marisa Letícia à de Flávio Bolsonaro ao justificar a emissão dos passaportes e defender o endurecimento das regras de concessão no país. A declaração foi criticada pelo deputado de oposição Angelo Bonelli, que considerou a fala inoportuna e acusou Flávio e Eduardo Bolsonaro de usarem o documento europeu como escudo para fugir da Justiça brasileira, após Flávio viajar aos EUA em meio a investigações e Eduardo ser condenado pelo STF.
O vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, lembrou que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falecida em 2017, também tinha a cidadania italiana. A declaração foi dada nesta quinta-feira (29), quando ele comentou a fuga para os Estados Unidos de Flávio Bolsonaro (PL), após perder as eleições presidenciais para o petista no domingo (25).
"Os passaportes de Flávio e de seus irmãos, assim como o passaporte concedido à senhora Lula, já falecida, foram emitidos porque eles tinham direito a obtê-los com base no ius sanguinis", disse Tajani.
"Contudo, como entendi que os documentos estavam sendo concedidos de forma um tanto generosa ? não porque as normas estivessem sendo violadas, mas porque eram permissivas demais ?, alteramos o regulamento com regras mais rigorosas", acrescentou o vice-premiê, referindo-se à nova lei de cidadania italiana, que determinou que a nacionalidade pode ser transmitida apenas por pais ou avós nascidos na Itália.
A declaração gerou críticas por parte do deputado de oposição Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), que ontem questionou o governo no Parlamento sobre o processo de reconhecimento da cidadania para os filhos de Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo.
Para Bonelli, a comparação foi "extremamente inoportuna e indelicada".
"Marisa Letícia era descendente de imigrantes italianos e jamais utilizou sua cidadania italiana para se esquivar da lei.
Já os irmãos Bolsonaro estão fugindo do sistema judiciário brasileiro", frisou o deputado.
O senador Flávio Bolsonaro, que é alvo de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro, deixou o Brasil, via Argentina, mesmo tendo seus passaportes diplomático e brasileiros cancelados, mantendo apenas o documento italiano como válido.
Após desembarcar na Flórida, na quarta-feira (28), ele divulgou uma carta se autoproclamando "presidente eleito do Brasil".
Porém, menos de uma hora depois, publicou uma nova versão do texto, agora se definindo como "líder do Brasil".
Por sua vez, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se autoexilou nos EUA há mais de um ano, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão por coação no contexto da tentativa de golpe de Estado no Brasil - crime, pelo qual, seu pai foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Eduardo chegou a divulgar um vídeo no qual exibe seu passaporte italiano e insultando quem o condenou, desafiando-o a solicitar à Itália a revogação do documento.
"Isso serve como prova de que o passaporte está sendo utilizado como um escudo contra o sistema de justiça de uma nação democrática e amiga [Brasil]. Contudo, o governo italiano permanece em silêncio", concluiu Bonelli. .