O ministro Dias Toffoli utiliza casa em resort de luxo, ligado a ex-negócios de seus irmãos, com cota de R$ 750 mil por quatro semanas; o caso levanta questionamentos por suas relações e conexões investigadas no âmbito do STF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli fica hospedado no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), em uma casa que custa R$ 750 mil por cota, segundo o jornal O Estado de S.Paulo.
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A relação entre o Toffoli e o resort, do qual parentes do magistrado foram sócios, ganhou destaque na imprensa nos últimos dias pela ligação de pessoas investigadas no caso do Banco Master a familiares do magistrado.
De acordo com o Estadão, a casa que o ministro utiliza no resort dá direito a quatro semanas de estadia por ano. O padrão é que cada casa tenha 13 cotas.
O empreendimento luxuoso tem ainda imóveis à venda por mais de R$ 2 milhões e apartamentos com diárias a partir de R$ 1,3 mil.
O ministro costuma ficar hospedado numa área mais reservada do resort: o condomínio Ecoview. O local fica numa área mais elevada da propriedade e conta com um heliponto.
Foi nesse heliponto, inclusive, que Toffoli foi filmado recebendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o empresário Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame. As imagens foram reveladas pelo portal Metrópoles.
Essas e outras imagens do ministro no resort repercutiram negativamente nas redes sociais, levantando questionamentos sobre suas relações pessoais e causando desconforto dentro do próprio STF.
Irmãos de Tofolli
O Tayayá teve de dezembro de 2020 a fevereiro de 2025 como sócio dois irmãos do ministro: José Carlos e José Eugênio. Os irmãos de Tofolli foram sócios do empreendimento por meio da Maridt Participações, registrada na Receita Federal com um capital social de R$ 150.
Os negócios foram feitos com as empresa Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort, e ambas fundadas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani. Na Junta Comercial do Paraná, no entanto, não consta o valor que os irmãos de Toffoli pagaram pelo negócio.
A Maridt Participações chegou a ter um terço de participação no resort de luxo. Em 2021, entretanto, uma fatia da participação foi vendida por R$ 6,6 milhões a um fundo de investimentos que tinha como dono o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Em fevereiro de 2025, os irmãos de Tofolli saíram de vez do negócio, com as vendas das participações da companhia na Tayayá Administração, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a empresa dos irmãos de Toffoli tem o endereço registrado em uma casa em Marília, em São Paulo. Uma equipe do jornal esteve no local e encontrou a esposa de José Eugênio Dias Toffoli. Ela disse que mora no local e negou que o marido tenha sido dono do empreendimento.
Caso Master
Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação do negócio.
Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.
O Terra procurou a assessoria do ministro em busca de um posicionamento, mas não obteve retorno. (Com informações do Estadão Conteúdo)