Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
O professor brasileiro, Danilo Neves Pereira, de 35 anos, foi encontrado morto, nesta segunda-feira (20), no Hospital Ramos Mejía de Buenos Aires, onde foi internado sem ser identificado, em 14 de abril. A hospitalização ocorreu após um descontrole psicotrópico por consumo de cocaína, informou o Departamento de Procura de Pessoas da Polícia da Cidade de Buenos Aires, responsável pelas buscas.
Danilo era procurado há seis dias, mas faleceu no dia seguinte à internação sem que o seu corpo pudesse ter sido identificado devido à falta de documentos. Não foi divulgado como o goiano chegou ao hospital, no bairro de Balvanera, vizinho de San Nicolás, onde ele morava, nas imediações do Congresso argentino. O hospital também fica a apenas quatro quilômetros de onde Danilo foi visto pela última vez.
A descompensação psicotrópica por consumo de cocaína gera um descontrole emocional, comportamental ou psíquico grave.
Circunstâncias do desaparecimento
O brasileiro chegou a enviar a um amigo, às 3h57, a captura de tela com a localização do seu destino na madrugada da última terça-feira (14): avenida de Maio, número 748, apartamento 112, quinto andar. Danilo teria no local um encontro com um jovem chileno, de nome Ulysses, marcado por meio de um aplicativo de relacionamento.
O endereço fica a dois quarteirões da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do Governo argentino, e a sete quarteirões do Congresso do país.
Um amigo de Danilo que conversou com o jornal argentino La Nación contou que o chileno Ulysses admitiu que Danilo deixou o apartamento após "uma pequena discussão". Sem ter notícias do goiano, esse amigo registrou uma queixa na polícia. A Procuradoria N.º 17 deu ordem de busca à Polícia da Cidade de Buenos Aires. O Consulado brasileiro acompanhava o caso em contato com parentes e amigos próximos.
Professor de inglês e doutorando
Danilo Neves Pereira foi, durante 12 anos, professor de inglês do Centro de Línguas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Atualmente, era doutorando de Linguística Aplicada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde apresentaria a sua tese. No final de setembro de 2025, mudou-se para Buenos Aires, onde vivia sozinho.
Recentemente, o goiano havia publicano o livro "Dividir-me-ei em três e outros contos". No ambiente artístico, também se apresentava como a drag queen "Rainha Zelda".
Paralelamente às autoridades, o brasileiro era procurado pela "Red Solidaria", uma prestigiosa organização argentina com vasta experiência na busca de pessoas.
Todos os anos, a Rede Solidária recebe 14 mil denúncias de pessoas perdidas. Em média, são 38 por dia, uma a cada hora e meia.
"Em 90% dos casos, os procurados aparecem poucas horas depois ou poucos dias depois. Mas, neste caso, infelizmente, caímos nos 10%. É uma tragédia", desabafou à RFI Juan Carr, fundador e diretor da organização.