'Parceria entre Brasil e Alemanha segue sólida e se expande para novas frentes', diz Lula em Hanôver

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, participaram de uma coletiva de imprensa conjunta nesta segunda-feira (20), em que exaltaram a cooperação entre os dois países e celebraram o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Após visitar a Feira Industrial de Hanôver e participar do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, Lula ainda visitará uma fábrica da Volkswagen nesta tarde.

20 abr 2026 - 13h41

Defesa, Inteligência Artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia, pesquisa oceânica e climática: a lista de setores em que o Brasil e a Alemanha assinaram parcerias é grande, mas foi amplamente destacada durante discurso do presidente nesta tarde. "A Alemanha é a terceira economia mundial e nosso quarto parceiro comercial com intercâmbio de US$ 21 bilhões. É um dos maiores investidores diretos no Brasil", celebrou Lula

O presidente Lula ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20) em Hanôver, no norte da Alemanha.
O presidente Lula ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20) em Hanôver, no norte da Alemanha.
Foto: AFP - ODD ANDERSEN / RFI

O líder petista não deixou de agradecer o apoio que Berlim deu ao acordo Mercosul-UE. Depois de 25 anos de negociações, a Alemanha foi um dos países que mais defendeu o compromisso em sua reta final, que entrará em vigor em 1° de maio, criando uma zona de 720 milhões de consumidores. "Estamos mostrando ao mundo que ainda é possível trilhar o caminho da prosperidade comum", disse Lula.

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Críticas a países europeus 

O presidente brasileiro não deixou de criticar medidas de proteção adotadas pela União Europeia "que podem desnivelar os pratos desta balança". Apesar de classificar como "legítima" a adoção de políticas de descarbonização, de preservação ambiental e desenvolvimento industrial, Lula afirmou ser "incorreto" a aplicação de "métricas que não são fidedignas à realidade, nem compatíveis com regras multilaterais", alfinetando a resistência de vários países europeus ao compromisso. 

"A entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia no dia 1° de maio abre espaço para uma parceria abrangente que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente", ressaltou. 

Antes da fala de Lula, o chanceler alemão reconheceu ter feito parte do grupo que defendeu a aprovação do compromisso. "Entrando em vigor, [o acordo] vai cada vez mais fomentar a nossa cooperação na área de tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura e energia", declarou. 

Reforma da ONU e guerras 

Para o líder alemão, fortalecer a resiliência e a diversificação econômica é "uma prioridade máxima neste momento tão imprevisível". Merz ainda saudou o engajamento com o Brasil em prol de uma ordem internacional baseada em regras, no esforço conjunto para uma reforma das Nações Unidas, e o posicionamento do país sobre as guerras no mundo. 

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"A prevalência das forças sobre o direito é a mais grave ameaça à paz e à segurança internacional", disse Lula, se descrevendo como "extretamente preocupado" com os riscos no conflito no Irã e no Líbano, além da ameaça "à sobrevivência do Estado palestino" e ao distanciamento da "almejada paz" na Ucrânia. 

"Entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que preferem se calar a ONU está mais uma vez paralisada", afirmou, defendendo uma reforma da instituição. "Somente o multilateralismo revigorado pode restabelecer a diplomacia e cooperação como ferramenta para a paz e o desenvolvimento sustentável", reiterou. 

Acordos estratégicos e ampliação do comércio

Este é o segundo dia da visita de Lula à Alemanha. A viagem temo como objetivo assinar acordos estratégicos e ampliar o comércio entre os dois países, que movimentou mais de US$ 20 bilhões em 2025. Pela manhã, ao visitar a Feira de Hanôver, o líder petista disse que o Brasil "cansou de ser tratado como um país de terceiro mundo" e criticou o enfraquecimento da ordem global construída após a Segunda Guerra Mundial. "O mundo não pode ser dirigido por mentiras nem pelo unilateralismo", enfatizou.

Por isso, Lula pretende levar o Brasil a assumir protagonismo global na transição energética, já que, segundo ele, o país reúne condições estruturais para liderar a produção de combustíveis renováveis. "O Brasil é o país que tem a sua matriz energética mais limpa do mundo do ponto de vista da energia elétrica. Quase 90% da nossa energia é renovável. Nós somos grandes produtores de biodiesel e de etanol", destacou. 

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No domingo (19), no primeiro dia da viagem, Lula foi recebido com honras militares em frente ao Palácio de Herrenhausen para uma reunião privada com Merz. Em seguida, eles participaram da cerimônia de abertura da Feira de Hanôver. 

Na agenda do presidente nesta segunda-feira, também há uma visita a uma fábrica da Volkswagen. A última etapa da viagem de Lula à Europa será Lisboa, nesta terça-feira (21), onde deve se reunir com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro. 

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