Médico infectado na República Democrática do Congo foi levado à Alemanha e internado no hospital Charité, referência no tratamento de doenças altamente infecciosas. Surto do vírus já matou 130 pessoas no país africano.Um missionário americano que contraiu ebola na República Democrática do Congo, onde um surto de uma cepa rara do vírus já matou mais de 130 pessoas, foi levado à Alemanha e internado no Hospital Universitário Charité, em Berlim, segundo informou o Ministério da Saúde alemão nesta quarta-feira (20/05).
O paciente é um médico, membro da organização missionária Serge Christian. Segundo a pasta, a decisão de levá-lo ao país europeu ocorreu a pedido das autoridades americanas. A Alemanha conta com uma rede de especialistas para o manejo e o cuidado de pacientes com doenças altamente infecciosas.
O tempo de voo também foi levado em consideração. O paciente foi transportado para Berlim a partir de Uganda em uma aeronave especial, segundo o ministério. Em seguida, foi levado ao Hospital Universitário Charité em um veículo equipado para transportar pacientes com doenças infecciosas, sob escolta policial.
A unidade especial de isolamento do hospital conta com infraestrutura separada das operações regulares e é dedicada ao tratamento de doenças altamente contagiosas.
A ministra da Saúde da Alemanha, Nina Warken, disse à agência de notícias dpa que ajudar parceiros era algo natural para o governo alemão. "Ele receberá o melhor tratamento possível e manteremos as mais altas medidas de segurança", disse Warken.
Outros seis pacientes transportados à Europa
Outras seis pessoas consideradas "contatos de alto risco" estão finalizando planos de viagem para trânsito à Europa, informou Satish Pillai, gerente do incidente da resposta ao ebola do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.
"Os indivíduos estão viajando para a Europa e ficarão em quarentena durante o período de monitoramento", afirmou Pillai. Uma pessoa irá para a República Tcheca, e as demais para a Alemanha, acrescentou.
O surto da rara cepa Bundibugyo do vírus no leste da RDC já matou 131 pessoas e foi declarado emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Testes genéticos mostraram que os exames diagnósticos atualmente disponíveis para ebola são eficazes na detecção dessa cepa, disse Pillai.
EUA restringem viagens
Na segunda-feira, o governo americano restringiu a viagem de pessoas que tenham partido da RDC, de Uganda ou do Sudão do Sul, ou que tenham estado nesses países nos últimos 21 dias.
O CDC África criticou a decisão, afirmando que restrições de viagem não são uma solução e podem potencialmente aumentar o risco, em vez de reduzi-lo. "O caminho mais rápido para proteger todos os países do mundo é apoiar de forma agressiva o controle do surto na origem", disse o diretor-geral do CDC África, Dr. Jean Kaseya. "A segurança sanitária global não pode ser alcançada apenas por meio de fronteiras."
O CDC dos EUA mantém um escritório na RDC com 30 funcionários, disse Pillai, e outro com 100 funcionários no vizinho Uganda, onde houve pelo menos dois casos confirmados.
gq/cn (Reuters, dpa)