As teorias de conspiração sobre o 11 de Setembro que circulam até hoje

10 set 2026 - 09h51
Resumo
Mesmo após décadas dos atentados de 11 de setembro, teorias conspiratórias persistem, alegando o envolvimento do governo dos EUA ou refutando os impactos dos aviões, teses já desmentidas pela ciência. Impulsionadas pelo medo, desconfiança institucional e redes sociais, essas narrativas oferecem perigo real ao estimular o isolamento social, o preconceito e o antissemitismo. Especialistas apontam que combater esse fenômeno exige diálogo respeitoso e o resgate da confiança nos fatos científicos.

Histórias mirabolantes sobre o atentado às Torres Gêmeas nos EUA seguem populares mesmo 25 anos depois.Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 entraram para a história como os mais graves já registrados. Após 25 anos, muitos continuam acreditando em teorias da conspiração que surgiram sobre o episódio.

O atentado suicida teve início com o sequestro de quatro aviões de passageiros pela rede terrorista islamista Al Qaeda. Dois deles foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; outro atingiu o Pentágono, em Washington D.C., sede do Departamento de Defesa dos EUA. O quarto avião tinha como alvo, supostamente, o Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos. No entanto, caiu na Pensilvânia depois que passageiros detiveram os sequestradores.

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Os atentados suicidas mataram quase 3 mil pessoas e deixaram milhares de feridos. Imagens e vídeos dos ataques circularam pelo mundo inteiro.

O 11 de Setembro foi um acontecimento que transformou o mundo, tanto em relação ao terrorismo quanto às teorias da conspiração. "Foi um ponto de gatilho que desencadeou muita coisa: debates sociais que antes não existiam, problemas de segurança até então desconhecidos", resume o historiador Claus Oberhauser em entrevista ao programa de checagem de fatos alemão BR-Faktenfuchs.

Envolvimento do governo americano?

Eventos como o 11 de Setembro são um prato cheio para teorias conspiratórias, aponta Daniel Jolley, professor de psicologia social e pesquisador do tema na Universidade de Nottingham.

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Não à toa: até hoje há quem questione como o país mais poderoso do mundo pode ser pego de surpresa dessa forma. Alguns encontram respostas em narrativas conspiratórias.

Segundo uma pesquisa do YouGov realizada em 2023, um em cada cinco americanos acreditava que o governo dos Estados Unidos esteve por trás dos atentados. Essa crença, que circula há décadas, demonstra que muitas pessoas desconfiam das instituições e dos "poderosos", explica Jolley.

Uma das teorias que alimenta a crença de envolvimento do governo americano nos atentados é que as Torres Gêmeas e outros edifícios do World Trade Center não teriam sido destruídos pelos impactos dos aviões, mas sim por implosões controladas. Ou que os aviões seriam responsáveis por apenas parte do dano.

Essa narrativa não é alimentada somente nas redes sociais, mas também se baseia em afirmações de alguns indivíduos da comunidade científica. Um dos argumentos frequentemente citado é que as nuvens horizontais de fumaça observadas durante o colapso das torres indicariam explosões controladas nos andares inferiores. No entanto, não há qualquer evidência de que explosivos ou bombas tenham sido encontrados no local.

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Além disso, investigações como as conduzidas pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) explicam como o impacto dos aviões levou ao incêndio das torres e, consequentemente, ao seu colapso. Segundo o órgão governamental, isso foi corroborado pelas gravações em vídeo dos ataques.

Outras análises, como as realizadas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e pela empresa de consultoria Weidlinger Associates, chegaram à mesma conclusão.

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?

Segundo Jolley, eventos repentinos e inesperados como o 11 de Setembro podem fazer com que determinadas necessidades psicológicas não sejam satisfeitas, especialmente "a necessidade de manter o controle, ter certeza sobre o que acontece e evitar o medo".

É nessas horas que surgem muitas perguntas sem resposta: Como ocorreu o ataque? Quem está por trás dele? "São justamente essas lacunas que fazem as teorias da conspiração florescerem", explica o historiador Oberhauser. É aí que, segundo ele, algumas pessoas passam a considerar a possibilidade uma grande conspiração.

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"Qualquer pessoa pode acabar acreditando em teorias da conspiração", acrescenta Karen Douglas, professora de psicologia social da Universidade de Kent.

Ainda assim, Jolley ressalta que ninguém simplesmente acorda um dia desconfiando de tudo e de todos. "É mais provável que isso seja uma jornada moldada pelas experiências de vida, por exemplo pelas adversidades que uma pessoa enfrentou." Segundo ele, a forma como alguém lida com crises também influencia. Quem é mais ansioso pode ser mais suscetível a acreditar nessas teorias, pontua.

As redes sociais desempenham um papel importante na rápida disseminação desses mitos. Embora elas já existissem antes do 11 de Setembro, sua expansão global só ganhou força a partir de 2004, com o Facebook.

Hoje, bilhões de pessoas utilizam aplicativos como Instagram, WhatsApp, Telegram e YouTube. Nesses ambientes circulam tanto informações verdadeiras quanto desinformação e teorias da conspiração, e nem todo conteúdo falso é removido rapidamente pelas plataformas.

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Por que as teorias da conspiração são problemáticas?

Os especialistas consultados pela DW citam três principais razões pelas quais as narrativas conspiratórias são consideradas perigosas:

Embora elas prometam reduzir o medo e aumentar a sensação de segurança, o que acontece geralmente é o oposto: mais desconfiança em relação ao governo e à sociedade, contribuindo para o isolamento social.

Mistura de fatos com informações falsas: diferentemente da desinformação explícita, muitas teorias da conspiração não podem ser facilmente desmentidas porque não se baseiam em afirmações claramente verificáveis ou refutáveis. Sua essência é justamente a ideia de que um grupo de conspiradores atua em segredo e que a população em geral não deve saber disso.

Consequências reais e influência sobre o comportamento das pessoas: ao longo da história, teorias da conspiração alimentaram preconceito, genocídio, desinformação médica (a exemplo da covid) e negacionismo climático.

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No caso do 11 de Setembro, teorias conspiratórias frequentemente responsabilizam um grupo: judeus. Um mito amplamente compartilhado nas redes sociais afirma que o atentando teria sido organizado por judeus. Essa narrativa deriva de uma antiga mentira antissemita, sem base em qualquer evidência, de que os judeus formariam um coletivo empenhado em dominar ou controlar o mundo.

Grupos específicos, como judeus, muçulmanos e pessoas LGBTQ+, são frequentemente responsabilizados por atos que não cometeram, aponta Jolley.

Os judeus, em particular, foram repetidamente alvo de mitos conspiratórios ao longo da história, e continuam sendo até hoje, afirma ele. Um exemplo na Alemanha é o caso do extremista de direita que tentou invadir uma sinagoga na cidade de Halle em 2019 e que compartilhava teorias conspiratórias antissemitas na internet.

Como reagir às teorias da conspiração?

Na Alemanha, organizações não governamentais e instituições públicas, como a Agência Federal de Educação Política, oferecem orientações sobre como lidar com amigos ou familiares que acreditam em teorias da conspiração.

Entre as recomendações estão dialogar de forma respeitosa e em pé de igualdade, e buscar juntos informações confiáveis. Também é importante identificar claramente manifestações de antissemitismo, racismo e outras posições extremistas e se posicionar contra elas. Outro fator importante, segundo o historiador Oberhauser, é restaurar a confiança na ciência e nos fatos.

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Este artigo foi produzido no âmbito da cooperação com a rede de verificação de fatos da emissora pública alemã ARD.

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