A última rodada da pesquisa Quaest sobre intenção de voto para presidente da República, divulgada nesta segunda-feira, 7, trouxe Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) rigorosamente empatados em um eventual 2º turno. Ambos registraram 41% cada. Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa igualdade “não é circunstancial”.
Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos
“Ele [empate] aparece em praticamente todas as dimensões que ajudam a medir a força dos dois candidatos. Lula tem hoje potencial de voto de 44% e rejeição de 53%. Flávio Bolsonaro, potencial de 40% e rejeição de 55%. As diferenças estão dentro da margem de erro. Até o medo, sentimento que tem organizado boa parte da polarização brasileira nos últimos anos, chegou ao equilíbrio: 43% dizem temer mais a volta da família Bolsonaro ao poder e os mesmos 43% temem mais a continuidade de Lula”, analisa.
“Essa simetria talvez seja a melhor definição do estágio atual da eleição. Lula e o bolsonarismo continuam representando os dois polos dominantes da política brasileira. Cada um dispõe de uma base extremamente fiel, cada um provoca enorme resistência do outro lado e ambos encontram grande dificuldade para atravessar a fronteira que separa os convertidos dos eleitores que decidirão a eleição.”
Durante a sua análise, Nunes lembra que a “literatura sobre comportamento eleitoral mostra há décadas que eleições presidenciais possuem fundamentos”. Ele destaca que a avaliação do governo é um dos fatores mais importantes em uma eleição. Esse é justamente o calcanhar de Aquiles de Lula no momento.
“Lula entra na reta decisiva da campanha com um problema relevante. Hoje, 50% desaprovam seu trabalho e 43% aprovam. Na avaliação mais estrita do governo, 38% o consideram ruim ou péssimo, diante de 34% que o classificam como ótimo ou bom; outros 25% avaliam a administração como regular.
O dado chama atenção não apenas pelo nível, mas pela direção. Desde julho, a aprovação caiu de 48% para 43%, enquanto a desaprovação passou de 47% para 50%.”
De acordo com Nunes, “Lula não precisa necessariamente transformar desaprovação em aprovação para vencer. Em eleições polarizadas, é possível conquistar votos de pessoas que não avaliam bem um governo, desde que a alternativa provoque rejeição ainda maior”.
“Lula pode se beneficiar do medo dos Bolsonaro da mesma maneira que Flávio pode se beneficiar da fadiga com Lula”, argumenta.
O diretor da Quaest destaca que a boa e má notícia é a mesma para o petista: ainda há tempo até a eleição. O primeiro turno acontece em menos de 1 mês, no dia 4 de outubro.
“Campanhas podem mudar percepções, acontecimentos podem reorganizar prioridades e a própria economia pode alterar o humor do eleitor (...) E Lula chega à largada ainda na frente. Só que, pela primeira vez, olhando para o retrovisor e vendo Flávio Bolsonaro exatamente à mesma altura quando a estrada se estreita para dois.”
*A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 03 de setembro a 06 de setembro. O registro no TSE é BR-01720/2026. A margem de erro é de dois pontos e o nível de confiança, de 95%.