Faltando menos de um mês para o primeiro turno das Eleições 2026, as celebrações do 7 de Setembro serviram como palco aberto para o embate político. Divididos entre os atos oficiais em Brasília e as manifestações de rua em São Paulo e Rio de Janeiro, o Dia da Independência refletiu o clima de tensão institucional alimentado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos
Lula em Brasília
Na Esplanada dos Ministérios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou o desfile oficial com o slogan "Soberania: a força que une o Brasil". Ao lado dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Edson Fachin, o governo optou por um tom estritamente sóbrio e sem discursos comícios, visando afastar acusações de uso da máquina pública durante o período eleitoral.
Contudo, o recado político de Lula veio logo após o evento pelas redes sociais. Em publicação no X, o presidente mandou uma indireta à oposição.
"Há os que jogam contra. Se travestem de patriotas, mas militam por interesses estrangeiros. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém. O Brasil é dos brasileiros".
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, figuras centrais da recente crise provocada por trocas de acusações no caso Master, não compareceram. No público, gritos em prol do "fim da jornada 6x1" pressionavam o senador Davi Alcolumbre, que preferiu não pautar o tema antes do pleito.
Flávio Bolsonaro em São Paulo
Na Avenida Paulista, o tom foi abertamente eleitoral e de confronto ao Judiciário. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, discursou num trio elétrico ao lado do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes e de aliados como Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e Sérgio Moro.
Flávio mirou seus ataques especificamente contra o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de "laranja podre" do STF. Lula também foi atacado constantemente com gritos de que o “PT chegaria ao fim”.
“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse.
O ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, uma adesão equivalente a dois terços do público registrado no 7 de Setembro de 2025 (42,2 mil), segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.
Demais candidatos
O dia de mobilizações também serviu de vitrine para os nomes que tentam construir uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro:
Romeu Zema (Novo): Realizou um ato esvaziado na Paulista durante a manhã. O ex-governador de Minas criticou abertamente os ministros Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes, afirmando que em um país civilizado ministros envolvidos com figuras investigadas estariam "expulsos e encarcerados".
Renan Santos (Missão): No Obelisco do Ibirapuera, o candidato leu um manifesto exigindo a prisão de Moraes, Toffoli, do diretor da PF, Andrei Rodrigues, e do PGR, Paulo Gonet. Renan ainda ironizou seu adversário Augusto Cury, classificando-o como "alienado num torpor eterno".
Augusto Cury (Avante): Sob chuva em Copacabana, o escritor e candidato à Presidência focou seu discurso na crítica à "guerra de egos". Surpresa nas últimas pesquisas ao figurar em terceiro lugar e desbancar nomes tradicionais como Ronaldo Caiado (PSD), Cury atraiu candidatos locais em busca de palanque.
Ronaldo Caiado (PSD): Em Goiânia, participou do desfile cívico regional e focou suas falas no combate às facções criminosas e na segurança pública.