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Plataforma mede acolhimento de pessoas neurodivergentes em ambientes e serviços

Projeto construído por brasileiros entrou no ar nesta semana, com dados reunidos há 12 meses, e já ultrapassou 100 milhões de locais catalogados em 14 países, 800 mil no Brasil. Sistema destaca ambiente amigável, acessibilidade, recepção a animais de apoio e a experiência geral. Aplicativo estabelece cinco níveis de preparo, da base à excelência na receptividade. "O primeiro passo é a métrica, mas o objetivo é trazer soluções", dizem os criadores em entrevista exclusiva ao blog Vencer Limites (E

9 jul 2026 - 14h13
Plataforma já tem 800 mil estabelecimentos do Brasil catalogados.
Plataforma já tem 800 mil estabelecimentos do Brasil catalogados.
Foto: Divulgação. / Estadão

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Plataforma já tem 800 mil estabelecimentos do Brasil catalogados.
Foto: Divulgação. / Estadão

Quase 800 mil estabelecimentos brasileiros já estão catalogados na plataforma Orbi360, que apresenta no Neurindex o nível de preparo dos locais e dos serviços para receber e acolher pessoas neurodivergentes. Os dados foram reunidos nos últimos 12 meses e mostram se o ambiente é amigável, os recursos de acessibilidade disponíveis, a recepção aos animais de apoio e a experiência geral para os visitantes e seus familiares, estabelecendo cinco níveis: Explorer (A base para o acolhimento está começando a ser construída), Navigator (As primeiras práticas estão sendo implementadas), Guardian (O acolhimento está presente, embora ainda não seja completo), Guide (Preparação consciente, consistente e confiável) e Beacon (Excelência reconhecida no acolhimento neurodivergente).

No total, o sistema já reúne 100 milhões de lugares no Brasil e mais 13 países (Argentina, Canadá, Chile, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Ilhas Virgens Americanas, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, Portugal e Uruguai). Para atingir uma abrangência tão robusta, usa informações abertas de OpenStreetMap e FSQ Open Source Places, além de outras fontes oficiais. Desse total, 7 milhões têm dados completos. O acesso e as avaliações são feitas no aplicativo (Android e iOS).

O projeto é brasileiro, desenvolvido pela pernambucana Wendy Albuquerque e o mineiro Willyan Fernandes, ambos com filhos autistas, e o empresário Roger Maia, também mineiro. A ideia de criar um guia de locais acolhedores surgiu após muitas situações comuns à rotina de pais atípicos.

"Dois anos atrás eu estava com meu filho em um restaurante, aguardando na fila, e crianças neurodivergentes nem sempre conseguem esperar. Ele teve crise. Pedi uma mesa afastava para meu filho se autorregular, mas não aceitaram. Depois, quando conseguimos entrar, ele ficou andando , também para autorregular, e tomei uma bronca", conta Wendy Albuquerque, que vive em Portugal. "Fique pensando em alguma solução e no desconhecimento que enfrentamos. É desanimador. Falei com muitas famílias que não saem de casa", diz.

Roger Maia explica que a análise dos locais é feita pelos usuários. "Tudo começa agora, com a liberação do aplicativo. A proposta não é criar um ranking, mas dar às famílias informações para decidir sobre onde ir e o que será encontrado".

Wendy Albuquerque reforça a importância do conhecimento a respeito do autismo. "É uma condição invisível e nem sempre é possível usar identificação, como cordão ou crachá", comenta. "Num supermercado, quando eu precisava usar o caixa de autoatendimento, uma funcionária percebeu as características do meu filho e disse 'essa mãe vai passar na frente'. Depois ela me contou que tem um sobrinho autista".

"O primeiro passo é a métrica, mas o objetivo é trazer soluções. Precisamos juntar as iniciativas da comunidade. Listar na plataforma", afirma Roger Maia, que destaca o melhor argumento para um estabelecimento investir nos recursos de acolhimento. "É financeiro, dinheiro. "O autista bem atendido nunca vai largar o local. Ele vai voltar sempre".

Maia diz que a estrutura para manter o sistema custa U$6,2 mil por mês, atualmente bancada pelos próprios criadores. "Vamos chegar num modelo de pagamento mensal pelo usuário, mas isso ainda não está pronto. A ideia é fornecer outras informações, trazer prestadores de serviços, desenvolver anúncios. Uma das metas da plataforma e fornecer mecanismos para formar as pessoas".

Wendy Albuquerque ressalta que coisas mínimas fazem grande diferença. "Em um hotel, pedi quarto térreo, mas a varanda era mais alta e não conseguiu trocar. É o tipo de informação específica que precisa estar disponível no sistema de reservas".

Uma das funções do Orbi360 será gerar um repositório de soluções. "É comum o hotel não saber o que fazer. O filho do nosso sócio, Willyan Fernandes, um vez conseguiu abrir a porta do quarto enquanto os pais dormiam e saiu pelos corredores, sem qualquer identificação. Funcionários o encontraram e nada grave aconteceu, mas é uma situação que precisa servir para ensinar", comenta Wendy Albuquerque.

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Projeto foi desenvolvido por brasileiros.
Foto: Divulgação. / Estadão
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