Brasileira em Portugal diz que foi demitida para 'dar ar mais limpo ao bar'

Casos de racismo no país europeu têm crescido no último ano

30 jun 2025 - 10h44
(atualizado às 11h01)
Resumo
Brasileira em Portugal denuncia racismo após ser demitida de bar sob justificativa de "dar ar mais limpo", em contexto de aumento de discriminação contra imigrantes e pessoas negras no país, segundo relatório europeu.
Namíbia Kaiowa sofreu racismo em bar que trabalhava em Portugal
Namíbia Kaiowa sofreu racismo em bar que trabalhava em Portugal
Foto: Reprodução/namibia_kaiowa/Instagram/Letícia Diniz

Uma sommelier carioca de 38 anos denunciou que foi vítima de racismo em Portugal enquanto trabalhava.

Namíbia Kaiowa chegou a ser demitida de um bar para “dar ar mais limpo” ao estabelecimento, localizado em Lisboa. A informação é da coluna Portugal Giro, do O Globo. 

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"Incômodo"

Esse foi o caso mais recente que ela passou. O episódio aconteceu enquanto ela trabalhava diretamente com a dona do local.

“Ela me chama na parte da manhã, me despede de modo ilícito dizendo que não precisava mais do meu trabalho, que ‘clientes’ se ‘incomodavam’ com a minha presença e isso não era bom para o negócio”, revelou. 

Namíbia, então, reivindicou o pagamento pela quebra de contrato e ouviu que era melhor assinar um acordo mútuo, já que provar o caso de racismo seria uma "perda de tempo". 

“Ela afirmou que quer dar um ar ‘mais limpo’ no bar. Que era melhor eu assinar como se fosse mútuo acordo e que provar, aos olhos da lei portuguesa, que foi racismo estrutural, seria uma perda de tempo”, relembrou. 

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Em Portugal, não existe criminalização do racismo. Mesmo assim, ela foi orientada a uma advogada a contar o que está acontecendo. “A ideia é justamente não deixar que continue acontecendo e que as pessoas se animem a dizer”, afirmou. 

Crescimento

Os casos de racismo no país europeu têm crescido no último ano. É o que analisa a Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), órgão do Conselho da Europa. 

Houve um “aumento acentuado do discurso de ódio, que visa sobretudo os imigrantes, os ciganos, a comunidade LGBTI e pessoas negras”, sobretudo às pessoas negras, segundo a Comissão. 

“Várias escolas e universidades foram vandalizadas com mensagens de natureza racista [...], foi solicitado a uma deputada negra que 'voltasse para o seu país de origem' pelo líder do partido de extrema direita Chega”, diz o relatório. 

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A ECRI apontou ainda que ao fim da visita ao país em 2024, ficou “alarmada com as alegações ouvidas [...] as quais a discriminação e o assédio são experiências comuns das pessoas negras, incluindo em espaços públicos como restaurantes e bares”.

A Comissão também alerta para a falta de dados oficiais sobre incidentes de discurso de ódio em Portugal, mas que vários relatos apontam para esse aumento do discurso de ódio na região. 

O órgão afirma que está preocupado com o aumento “da xenofobia e do discurso de ódio anti-imigração, que parece visar, em particular, os imigrantes não europeus, como os de outros países de língua oficial portuguesa e do sul da Ásia”.

Além disso, ressaltou que esse tipo de discurso está “muito presente nas discussões políticas, através da divulgação de informações erradas que associam os imigrantes à criminalidade ou como um encargo para o sistema de segurança social”.

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Fonte: Redação Terra
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