Antes da Volkswagen se tornar o que é hoje, um dos pilares da indústria automobilística brasileira, a empresa operava em condições precárias e contava com poucos funcionários na montagem dos primeiros carros. Foi nesse contexto, no início dos anos 1950, em São Paulo, que Marcílio da Cruz Lopes, conhecido como Fritz, entrou para a história como o primeiro brasileiro oficialmente registrado como funcionário da montadora. Fluente em alemão, ele se tornou uma conexão improvável entre a diretoria estrangeira e a fábrica no Brasil. No entanto, décadas depois, seu nome foi apagado da memória institucional da empresa após denunciar um esquema de desvio de peças.
Fritz era lavador de carros, mas tornou-se um funcionário estratégico da Volkswagen
A trajetória de Fritz dentro da Volkswagen começou bem na base da cadeia de produção. Recém-chegado a São Paulo, sem dinheiro e sem contatos, ele conseguiu um trabalho como lavador de carros na Volkswagen do Brasil, que funcionava em um galpão alugado na Rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga. No entanto, tudo mudou quando o presidente da empresa da época, o alemão Friedrich Wilhelm Schultz-Wenk, ouviu Fritz falar alemão com fluência.
Criado por uma família de imigrantes alemães em Santa Catarina, Marcílio dominava o idioma. Rapidamente, passou a auxiliar na montagem dos Fuscas trazidos da Alemanha em sistema CKD (completamente desmontados) e virou uma ponte informal entre a diretoria e os operários. Sua importância cresceu a ponto de ...
Matérias relacionadas